Feliz aniversário de Corinthians, Fabinho Soldado.
Opinião de Beatriz Maineti
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Fabinho Soldado em ação no treino do Corinthians
Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Há exatamente um ano, Fabinho Soldado dava início à sua trajetória como executivo de futebol do Corinthians. Saindo da sua própria zona de conforto, o profissional entrou em um barco furado, quase sem capitão e prestes a colidir com um iceberg tão grande - ou quiçá maior - que o do Titanic.
Quando assumiu o cargo que, até então, era inexistente no clube, Fabinho tinha a missão de profissionalizar o departamento de futebol e cuidar do setor com o cuidado que ele, numa instituição esportiva cujo ganha-pão é o futebol, merece. A tarefa não era fácil, mas ele se disse “movido a desafios”. Bom, seguindo esta premissa, talvez este fosse o combustível mais potente que existia naquele momento.
A questão é que não haveria meio termo para Fabinho Soldado: ou o Corinthians seria para ele a gasolina premium que dá nova vida ao motor, ou seria o equivalente a colocar óleo diesel em um veículo movido a gasolina. E isso, a princípio, dependia pouco dele.
Pouco após as eleições presidenciais do Corinthians, o clube vivia um momento politicamente conturbado. Enfiada em dívidas, a instituição precisaria ser criativa para seguir existindo no futebol e, com tantas promessas ambiciosas do novo mandatário corinthiano, seria necessário controlar as expectativas e jogar com as cartas que estavam dispostas; não havia outra alternativa.
Mais do que as incertezas internas, o próprio Fabinho era uma incerteza enorme. Soldado nunca tinha exercido essa função em nenhum outro clube e precisaria se reinventar durante um caos administrativo que parecia não ter fim. Ele afirmava estar apto para a função. Hoje, um ano depois, é muito bom saber que alguém acreditou nessa frase.
Era uma função nova para um profissional novo, mas parece que Fabinho já nasceu com o terno cinza enfeitado com o broche do Corinthians. Ele chegou já ao fim da janela de transferências de janeiro, dividindo o departamento com um personagem polêmico da história corinthiana e, poucos meses depois, foi deixado sozinho, à mercê de suas próprias decisões.
Relegado às suas próprias decisões, Fabinho assumiu o volante de uma reconstrução feita às pressas pelo Corinthians e conseguiu controlar o ambiente interno. Ganhou a confiança dos boleiros, dos funcionários, dos diretores e conselheiros e começou, pouco a pouco, a organizar a casa.
Quando precisou se provar, refez a reconstrução do elenco corinthiano em três meses e contratou nove jogadores, embora tenha pagado efetivamente por apenas um terço deles. Ao todo, seu esforço custou “apenas” R$ 38 milhões aos cofres corinthianos contra os R$ 128,5 milhões gastos em janeiro para reformular um time que, seis meses depois, precisou de uma nova reformulação.
O resultado veio em dezembro: de virtualmente rebaixado, o Corinthians foi a sétimo colocado do Campeonato Brasileiro, semifinalista da Copa do Brasil e da Conmebol Sul-Americana e classificado para Conmebol Libertadores. Nos momentos de crise, foi ele quem segurou a barra, bancou a comissão técnica, motivou os jogadores e levou o clube a disputar as quatro competições mais importantes disponíveis aos times brasileiros.
As piadas com o seu nome são muitas. O soldado que virou general, comandante do “exército corinthiano” e por aí vai. O grande ponto, porém, é que se o Corinthians deu início a uma recuperação que tirou da boca dos rivais as piadas prontas sobre o clube, foi porque Fábio de Jesus assumiu o comando.
Mesmo em meio ao caos político que assola o Corinthians, o profissional é uma das poucas certezas, já que parece ser um dos únicos pontos de senso comum. Um ano depois de sua chegada, é possível cravar: Fabinho Soldado foi a melhor contratação do Corinthians.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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