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O Corinthians de 2025 não pode ser o mesmo da Venezuela
Beatriz Maineti

Apaixonada pelo futebol, mas, antes de tudo, feita de Corinthians. O mundo em preto e branco é mais bonito.

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O Corinthians de 2025 não pode ser o mesmo da Venezuela

O elenco do Corinthians tem que se incomodar com a inércia do jogo da última quarta-feira

Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

“Aquele jogo não diz respeito a identidade do nosso time”. Foi isso que o goleiro Hugo Souza, capitão do Corinthians na estreia do clube na segunda fase da pré-Libertadores, disse em entrevista ao PoropoPOD na última segunda-feira ao se referir ao empate por 1 a 1 com a Universidad Central, da Venezuela, pelo torneio continental.

O arqueiro deixou claro que avançar para a terceira fase da etapa preliminar, que será disputada já na próxima quarta-feira, é obrigação do elenco corinthiano. Não é só vontade, sonho ou desejo mais forte. Para Hugo Souza, é uma obrigação.

Essa sensação de obrigatoriedade surge pelo tamanho do Corinthians. A classificação para a fase preliminar da Conmebol Libertadores foi um prêmio conquistado a duras penas pelo time depois de uma retomada histórica no Campeonato Brasileiro e, depois de uma temporada tão difícil, a torcida merecia uma campanha digna na principal competição continental da América do Sul.

Mas, principalmente, o senso de obrigação de avançar pelo menos para a terceira fase da pré-Libertadores se torna latente depois do vexame que o elenco protagonizou na Venezuela. Diante da UCV, um time sem histórico internacional e com recursos limitados em comparação ao próprio Corinthians, a equipe comandada por Ramón Díaz deixou de vencer.

Não é só um empate. O Corinthians pressionou desde o primeiro minuto, já havia colecionado chances quando o relógio bateu cinco e, aos 15, parecia a um mísero detalhe de abrir o placar. Foi aí que a vergonha corinthiana começou. Os jogadores passaram a ver a vitória como questão de tempo; entenderam o adversário como sendo mais frágil e abaixaram a própria guarda.

Na última quarta-feira, na Venezuela, o Corinthians fez o seu pior jogo de 2025 e isso não tem nada a ver com questões técnicas. O time foi displicente, tentou enfeitar muito e acabou desperdiçando oportunidades claras que poderiam ter garantido a classificação para a terceira fase da pré-Libertadores ali mesmo, sem precisar do resultado do jogo de volta, que será realizado na Neo Química Arena. A verdade é que o time tropeçou na própria soberba.

Enquanto dentro de campo o time se portou de forma inaceitável, fora dele a conversa ganhou um tom muito diferente. Perguntado sobre a atuação, André Carrillo, autor do único gol corinthiano da noite, não minimizou o impacto da atuação corinthiana e disse que, para o time, o resultado era um revés.

“É normal (os protestos da torcida), estão bravos porque não ganhamos, faz parte. Uma equipe grande tem exigências e sabemos que temos que dar mais e fazer melhor (...). Para nós é uma derrota. É um golpe duro para nós. Sabemos que éramos favoritos e o empate para nós não é bom”, disse Carrillo à Central do Timão, ainda na Venezuela.

Já Emiliano Díaz, auxiliar técnico da equipe, se desculpou publicamente com a torcida. Segundo ele, a atuação do time foi inaceitável e aquele não foi o Corinthians. Seu pai, Ramón Díaz, diz que o time não perdeu a partida por sorte.

“Estamos envergonhados pelo que aconteceu na quarta. Entre nós, conversamos. Não se permite perder daquela forma, eles estão chateados e nós também. Para cumprir o sonho que queremos cumprir, temos que fazer diferente. Eles sabem e nós sabemos. Todos erraram. Não fomos o Corinthians ali por um montão de fatores. Aquilo não pode acontecer nunca mais. Quarta-feira, aqui dentro tem que ser um inferno e vai ser um inferno. Eles sabem o que podem dar e sabem o que está em jogo: é vida ou morte”, afirmou Emiliano Díaz.

Comissão técnica e jogadores, tanto os que se dispuseram a falar em zona mista quanto aqueles que se manifestaram pelas redes sociais, não se eximiram da responsabilidade. Mais do que assumir a culpa, os personagens principais do jogo da próxima quarta-feira parecem ter entendido o motivo que torna este resultado tão inaceitável. Fora de campo, a resposta foi dada. Falta se manifestar com a bola no pé!

Chegou a hora de o Corinthians fazer o que fez Rodrigo Garro ainda em 2024, no jogo seguinte à eliminação da Conmebol Sul-Americana. Após perder o gol que poderia ter dado ao time a vaga na grande final do torneio, o único que falta na galeria de títulos da equipe, o meia marcou o primeiro tento da vitória por 2 a 0 sobre o Palmeiras na Neo Química Arena e, antes de sua comemoração tradicional, pediu desculpa à torcida presente.

Este time precisa, com urgência, responder em campo e demonstrar que não é aquela mesma equipe que fez o torcedor se sentir envergonhado na última quarta-feira. É hora de guerrear em campo em busca de uma redenção. Para o torcedor, um possível título será uma consequência da entrega, da perseverança e da vontade demonstrada dentro de campo, e é isso que o Corinthians precisará mostrar na Neo Química Arena às 21h30 na próxima quarta-feira.

Veja mais em: Hugo Souza, Andre Carrillo e Libertadores da América.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Apaixonada pelo futebol, mas, antes de tudo, feita de Corinthians. O mundo em preto e branco é mais bonito.

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