O buraco é mais fundo
Opinião de Beatriz Maineti
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O Conselho Deliberativo do Corinthians, ainda ocupado por figuras que assombram o torcedor, precisa de uma reformulação
Foto: Rodrigo Vessoni/ Meu Timão
A última quinta-feira foi pesada para o torcedor corinthiano. Em um intervalo de poucas horas, os apaixonados pelo Sport Club Corinthians Paulista viram dois ex-presidentes da instituição, Andrés Sanchez e Augusto Melo, envolvidos em escândalos que fazem relação direta com a instituição.
O primeiro deles assumiu, sem rodeios, ter utilizado o cartão corporativo do Corinthians para gastos pessoas em 2020. Andrés Sanchez admitiu ter gastado mais de R$ 9 mil em dezembro de 2020 depois de ter confundido o cartão por “beber um pouco a mais”, conforme justificou. Com naturalidade, o ex-presidente corinthiano falou sobre o assunto com calma, sem se exaltar, e disse que vai ressarcir o clube com juros e correção monetária.
A admissão de culpa não repercutiu publicamente como o torcedor esperava. Até este momento, o Conselho Deliberativo e a presidência do Corinthians não se manifestaram oficialmente, embora, segundo apuração do Meu Timão, o Conselho de Orientação (CORI) vai se reunir para discutir a expulsão de Andrés Sanchez do quadro associativo do clube.
Do outro lado, Augusto Melo, presidente corinthiano que vive um processo de impeachment, recebeu oficialmente a denúncia do Ministério Público pelo caso VaideBet. Recentemente, o mandatário foi indiciado oficialmente pela Polícia Civil por furto qualificado, lavagem de dinheiro e associação criminosa pela utilização de empresas de fachada na intermediação do acordo de patrocínio, firmado no início de 2024. Agora, deve recorrer, solicitando mudanças no trâmite da investigação e levando as provas à Polícia Federal.
O torcedor corinthiano foi exposto à uma realidade triste: internamente, o clube está à deriva. Não existem mais lados, oposição e situação se misturam em escândalos que prejudicam a instituição Sport Club Corinthians Paulista, e aqueles que amam o escudo do Corinthians se sentem abandonados por àqueles que juraram defendê-los.
A sensação é de que não tem mais para onde correr. A única solução encontrada é apontar dedos, mas a verdade é que talvez não haja dedos o suficiente para indicar quem deve assumir a responsabilidade. Em um momento de instabilidade política, o Corinthians pede uma limpeza interna que vai além de quem assina ou deixa de assinar.
Em pouco mais de um ano e meio, a presidência do Corinthians já passou pelas mãos de dois presidentes, Augusto Melo, afastado no processo de impeachment, e, agora, Osmar Stabile. No próximo dia 9 de agosto, o futuro do clube pode se direcionar para outro mandatário, já que uma assembleia geral entre os associados pode cravar a saída definitiva de Augusto Melo e firmar a necessidade de eleições indiretas no clube.
Os problemas políticos escancaram o déficit financeiro do clube e o torcedor, de mãos atadas, procura um culpado. Os jogadores tornam-se o principal alvo das críticas, já que “custam caro” e não conseguem entregar os títulos tão desejados, mas isso só acontece porque é o rosto dele estampado nas manchetes, nas matérias jornalísticas e também nas redes sociais.
A terceirização da culpa só ajuda aqueles que acordam e vão dormir todos os dias com a verdadeira responsabilidade pelo momento do clube. Não à toa o discurso de Augusto Melo, desde o início de sua gestão, gira em torno do repasse dos problemas para gestões anteriores e também para o “anticorinthianismo” que vive dentro do Parque São Jorge. Na primeira entrevista que deu após admitir o desvio de recursos financeiros do clube para fins pessoais, no Portal Léo Dias, Andrés Sanchez aproveitou para dizer que aquele que assinou o contrato com Memphis Depay, atacante do Corinthians, “deveria ser preso”.
Enquanto as críticas sobram aos outros, os verdadeiros responsáveis seguem convivendo nas alamedas do Parque São Jorge como se nada fosse realmente importante. Ao lado deles, estão aqueles que deveriam fiscalizar e punir os atos que ferem o estatuto do Corinthians, os membros do Conselho Deliberativo. O presidente do CD, Romeu Tuma Jr., aliás, deixou de lado a costumeira rapidez em seus pronunciamentos ao se manter em silêncio em relação ao escândalo de Andrés Sanchez.
A reforma política do Corinthians passa diretamente por essas pessoas, pelos conselheiros que deveriam tomar as mais importantes decisões internas. Serão eles a definir o novo presidente do clube em caso de impeachment do Augusto Melo, já que deverão votar em eleições indiretas após a assembleia geral. Serão eles também os responsáveis por investigar e manter a ordem com o novo mandatário, ou mesmo com o antigo, caso os sócios decidam pela permanência da atual gestão.
O futuro do clube passa pelas mãos destes senhores, e nenhuma reforma será feita com silêncio. É preciso que os conselheiros assumam a responsabilidade e ajudem a construir a escada que tirará a instituição do buraco.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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