O Corinthians falhou com Rodrigo Garro
Opinião de Beatriz Maineti
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Rodrigo Garro teve lesão muscular detectada e desfalca o Corinthians por tempo indeterminado
Foto: Wanderson Oliveira / Meu Timão
“Se você falha em se planejar, você planeja falhar”. A frase é a tradução literal de um ditado popular em inglês (“if you fail to plan, you plan to fail”), mas parece ter sido cunhada para retratar o momento do Corinthians. Nesta segunda-feira, o clube confirmou os temores dos seus torcedores ao confirmar uma lesão muscular de grau 2 na panturrilha de Rodrigo Garro, que deve ficar de fora por tempo indeterminado e deixou o técnico Dorival Jr. com um problema enorme: o que fazer agora?
Rodrigo Garro é o único meia de função no elenco principal do Corinthians - e eu gostaria muito de dizer que isso é um exagero. Sem ele, Dorival Jr. e sua comissão técnica precisam encontrar soluções alternativas para a posição, improvisando Memphis Depay, André Carrillo, Breno Bidon e até Vitinho, atacante recém contratado pelo clube. Isso, porém, só acontece porque a diretoria alvinegra não soube se preparar para uma possível ausência do jogador.
As dores já tomam conta dos dias de Rodrigo Garro desde meados de 2024. Apesar disso, o meia atuou com tratamentos paliativos pela necessidade do clube e se consolidou como um dos principais nomes do elenco corinthiano. Sendo um dos principais responsáveis pela ascensão do Corinthians na última temporada, o jogador entendeu que precisava estar em campo.
E ele estava certo. O Corinthians precisava dele dentro das quatro linhas, mas a torcida se apoiou muito nele nas arquibancadas para encontrar forças em um momento difícil. Para 2025, porém, o seu esforço cobrou um preço alto e, até aqui, Rodrigo Garro tem apenas 26 jogos disputados em 55 compromissos oficiais do clube, o que dá menos de 50% de presença.
Os problemas do jogador começaram a ser noticiados ainda em janeiro, quando Garro foi retirado da lista de relacionados no início do Campeonato Paulista e também do Campeonato Brasileiro para ser submetido a tratamentos no joelho. O prognóstico já gerava preocupação, mas o departamento de futebol do Corinthians parece ter mantido a preocupação com as questões físicas do meia em segundo plano.
Até junho, o Corinthians tinha Igor Coronado também à disposição. Apesar dos grandes problemas de desempenho apresentados pelo ex-camisa 77, ele era um meia de formação, acostumado com as mazelas da posição. No mínimo, era alguém que poderia ser colocado em campo quando Rodrigo Garro, por qualquer motivo, não pudesse jogar. Com a sua liberação, porém, esta lacuna no elenco ficou ainda maior.
Quando a rescisão do jogador foi anunciada pela imprensa, o motivo lógico apontado foi a necessidade de abrir espaço na folha salarial, já que o atleta recebia um alto valor mensal. Após esta abertura, porém, nenhuma outra peça foi contratada.
O transferban interferiu na contratação de atletas na janela de transferências do meio de ano. Entretanto, antes da instauração da proibição, o clube teve um mês e dois dias para trazer novos atletas - tanto é que correu contra o tempo para registrar o atacante Vitinho. Isso sem falar no mercado de início de ano.
Se formos colocar em perspectiva a questão financeira do clube, que já dificultava contratações antes mesmo do transferban, havia outra solução possível para a diretoria corinthiana: as categorias de base. O caos político atrasou, mas a gestão de Osmar Stabile, mesmo quando ainda era interina, postergou as renovações de contrato de nomes como Gui Amorim, meia destaque no Sub-17 e Sub-20 do Corinthians, que poderiam ter iniciado a transição para o profissional antes. Afinal, nenhum treinador promove garotos sem vínculos mais estáveis.
A ausência de um reserva direto para Rodrigo Garro obrigou o jogador, que já sentia dores, a estar à disposição para a maior parte das partidas e pela maior parte do tempo. Com isso, qualquer incômodo poderia se transformar em algo maior, como de fato vem acontecendo. O próprio jogador já admitiu que seu corpo vem lhe pedindo ajuda.
O Corinthians poderia ter transformado um ano difícil fisicamente para um dos seus principais jogadores em algo minimamente mais fácil. Com um substituto direto, Rodrigo Garro poderia ter sido poupado e sua saúde, então, priorizada. O Corinthians falhou com o camisa 8 e segue a falhar quando não se preocupa com a manutenção do seu elenco.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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