Os percalços da reformulação
Opinião de Heloisa Durand
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Augusto Melo durante jogo do Corinthians contra o São Bernardo
Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão
Pós-Dérbi, chamou a atenção dos torcedores o fato de Léo Maná e Donelli serem os únicos a passarem na Zona Mista, o capitão Gustavo Henrique e jogadores mais velhos não fizeram questão de falar com a torcida após a derrota. Antes mesmo disso, já me questionava, “O Corinthians tem realmente elencos piores dos que enfrentou e não venceu?” Um espectador do Voz da Torcida me deu a seguinte resposta: “Esses times que tem um elenco pior ao menos jogam juntos há mais de um ano”, e isso me fez desbloquear uma linha do tempo do elenco alvinegro.
Não é novidade para ninguém que o time do Corinthians passa por uma reformulação, dos titulares em 2024, apenas 3 jogadores já jogavam juntos, são eles, Yuri Alberto, Caetano e Fagner.
Eu poderia aqui trazer uma análise simplista sobre o quão prejudicial foi se livrar de jogadores que eram referência no time, mas vou tentar ir além.
Entre nosso primeiro mundial em 2000 e o segundo em 2012, existem 12 anos de diferença. Entre os dois elencos, não existe nenhum atleta remanescente. De 2012 a 2023, um período semelhante, existiam ao menos três atletas que onze anos antes disputaram o Mundial de Clubes.
Com o aumento da dívida, o então presidente Duílio Monteiro Alves optou por um modelo de contratação que funcionaria de imediato, mas mais tarde, se mostraria um grande erro. Repatriar jogadores, muitos deles com idade avançada, foi o que iniciou o imbróglio da reformulação. Na verdade, foi o que iniciou a necessidade de uma reformulação, já que muito desses jogadores não tinham mais o rendimento de seus tempos de glória no Timão.
É fato que o Corinthians não sabe abrir mão de seus ídolos, o exemplo mais recente é Fábio Santos, que pedia passagem para o banco de reservas há muito tempo, mas o Timão não acertou em sua reposição. O lateral-esquerdo Fagner pode passar por uma situação semelhante, mas só o tempo dirá.
Com um elenco com média de idade 26,8 anos, o então recém-assumido Augusto Melo percebe o problema, muitos atletas não rendiam mais o esperado. Ele então não renova com Renato Augusto, Gil e Giuliano, mais tarde ele perde Cássio e Paulinho e traz um time novo, que nunca jogou junto e sem grandes líderes “da casa”. O erro em si só não é só isso, já que muitos desses atletas comprovaram jogando em outros times que já não têm mais o mesmo vigor e qualidade técnica.
Mais uma vez, o problema começa com Duílio Monteiro e espero que, com essa linha do tempo, possamos perceber que a reformulação vai, sim, ser complicada. Um time sem entrosamento, que joga junto há apenas 6 meses, além disso, com alguns atletas que sequer têm qualidade. Continuaremos vendo novatos sendo cobrados como veteranos e sendo os únicos a “dar a cara a tapa”. Isso obviamente sem citar a grande crise extracampo, mas isso é assunto para outro dia.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
