A metamorfose de Love: do antagonismo aos títulos
Opinião de Jorge Freitas
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Treino da Manhã (20/04/19)
Foto: © Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
Vestir a camisa de um grande clube não é tarefa simples para qualquer um. Não são poucos os bons jogadores que ficam pelo caminho por não aguentarem a pressão que instituições como o Corinthians trazem para sua carreira. A relação jogador-clube é intensificada de acordo com suas atuações e as críticas surgem e desaparecem rapidamente da mesma maneira com que o fazem os elogios.
Vágner Love e Corinthians é capítulo à parte na história do futebol brasileiro. Intensa e curiosa, a relação jogador-clube é quase que uma metamorfose, que passou de totalmente oposta a uma mutualidade que termina com o gol do histórico e marcante tricampeonato paulista.
Imaginar Love fazendo sucesso no Corinthians era um sonho que poderia ter ocorrido já lá em 2005, quando a MSI chegou a apresentar o jogador, mas não o contratou de fato. Revelado pelo maior rival, Love jogava no Rio quando, em 2010, foi o responsável pelo gol de uma das eliminações mais traumáticas do Corinthians na ainda tão sonhada Libertadores, com Ronaldo e companhia, em pleno centenário do clube.
Mas eis que em 2015, dez anos depois de ser apresentado, o atacante, enfim, chegou para vestir a nossa camisa. A missão de substituir o artilheiro do Mundial não poderia ter sido mais dura e o atacante chegou a conviver com críticas pesadas, que lhe renderam, inclusive, o banco por alguns jogos naquele Brasileirão.
Parecia claro que Vagner era um jogador fadado ao antagonismo corintiano, já que era sempre um adversário forte, que carregava na identidade as passagens por outro rival, mas incapaz de dar qualquer alegria à Fiel Torcida.
Mas se Love é a marca de Vagner, a predestinação também o é e bastaram apenas alguns jogos para que o atacante pudesse deslanchar e comandar o ataque de um dos melhores times da história do Corinthians. Com Jadson, Renato Augusto, Elias e Malcom, tornou-se o artilheiro da equipe na competição, coroado com um golaço no jogo que praticamente garantiu o nosso Hexa, em Minas Gerais.
Com o final da temporada, Love era o cara que a Fiel gostaria para seguir no comando do ataque em 2016. Mas um desmanche repentino fez que o atacante fosse entregue praticamente de graça aos franceses bilionários do Mônaco. Com 31 anos, parecia o ponto final de uma relação que havia durado apenas um ano e que começara muito mal para terminar deixando saudades.
Quis o destino, no entanto, que três anos depois, Love voltasse para novamente dar alegrias à torcida e carimbar o inesquecível tricampeonato paulista. Como um legítimo centroavante, Love enfiou o pé não apenas na bola que balançou a rede, mas também em seu passado de rivalidade com o Timão.
Embora ainda possa jogar muito mais e esteja devendo futebol nesse ano, já é provável que ninguém se lembrará tanto de Vágner pelo rival ou de sua passagem pelo Rio de Janeiro como se lembrará dos gols importantes que fez pelo Corinthians. Com menos de duas temporadas completas, o atacante já levantou dois canecos, sendo fundamental ao fazer gols nas grandes decisões.
Uma metamorfose completa. De antagonista a protagonista. De ídolo do rival a decisivo no Timão. Das críticas ao verdadeiro 'Love".
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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