'A conta chega' somente para a incompetência
Opinião de Jorge Freitas
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Andrés Sanchez mantém o discurso em relação ao poder financeiro dos rivais
Foto: Meu Timão
O presidente do Corinthians é bastante repetitivo quando perguntado sobre a situação financeira e grande fluxo de contratações e de altos salários pagos por Palmeiras e Flamengo. Como se tivesse um discurso gravado, diz que "um dia a conta chegará" para clubes que fazem a loucura de pagar milhões a jogadores e a clubes em transferências milionárias.
Quem enxerga o que era o Corinthians, financeiramente, no começo desta década, e o que é hoje, pode até, inocentemente, acreditar que o presidente tem razão e que, num prazo próximo, tanto o rival do Rio quanto de São Paulo estarão passando dificuldades e reduzindo folha salarial e fluxo de contratações.
No entanto, por traz do discurso de Andrés, existe uma intenção de amenizar o abismo financeiro atual, além da enorme incompetência que marcou a gestão corintiana quando ele mesmo era presidente. Na realidade, não há a menor comprovação de que o futebol brasileiro não possa suportar estes salários e grandes contratações, mas o que se comprova é que, com incompetência, não se administra nada e, aí sim, "a conta chega".
Se Andrés não tivesse entrado na barca da FIFA, da Odebrecht e do governo da época para a construção de um estádio luxuoso e impagável, se tivesse obtido sucesso na venda de naming rights, se tivesse entendido que a economia do país não viveria na bonança eternamente, muito provavelmente o Corinthians estaria numa situação similar à de Flamengo e Palmeiras. Mas não, no embalo de pessoas más intencionadas e da incompetência que marca os cartolas de futebol, tomou decisões insustentáveis para a saúde financeira de qualquer clube.
Ou seja, esse "discursinho" de que um dia a conta irá chegar nada mais é que uma tentativa de desvalorizar as boas gestões dos rivais, coisa que ele foi incapaz de fazer, ao menos financeiramente. Embora tenha seus méritos da época em que foi presidente pela primeira vez, Andrés acreditou piamente que o Corinthians seria "o maior clube do mundo em breve", mas se demonstrou despreparado para liderar um clube em tempos de crise financeira. Com isso, tomou decisões que até hoje afundam o clube e nos fazem viver sempre sob um alerta vermelho.
Enfim, o discurso repetitivo de Andrés é uma tentativa de amenizar os erros de sua gestão passada. A conta chega sim, é claro que chega, para qualquer time, assim como para qualquer empresa, mas só faz efeito negativo drástico para quem não é capaz de administrar.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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