Ralf: o ídolo sempre será maior que o jogador
Opinião de Jorge Freitas
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Ralf não deve jogar mais pelo Corinthians
Foto: Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians
Em princípio, pode soar como hipocrisia qualquer texto deste colunista que defenda Ralf. Quem me acompanha tanto aqui no Meu Timão quanto no No Ângulo sabe que há tempos eu pedia pela saída do jogador, que, dentro de campo, significava o retrocesso à forma ofensiva que encantou e abalou o futebol brasileiro de 2020.
Mas não há hipocrisia quando se aprende a separar o ídolo do jogador.
Digo isso, pois a saída de Ralf representa o primeiro grande gol de Tiago Nunes em sua apresentação. Adepto de um futebol de toque de bola e de busca frequente pelo gol, não havia o menor sentido manter Ralf no elenco para praticamente não entrar em campo.
E é aí que está a primeira sacada da história. Para aqueles que acusam o técnico chegou de desrespeito com um ídolo, digo exatamente o contrário, pois me parece muito mais justo e digno ser sincero e claro com um jogador que quase não ganharia chances no novo esquema do que mantê-lo no elenco apenas como um grande figurão.
De certa forma, Ralf, o jogador, não se encaixaria mais num clube que precisa, com urgência, alterar sua forma de jogar. Nem como zagueiro, já que, para o novo treinador, todos os 11 titulares precisam se comunicar perfeitamente com os pés, nem como volante, pois enquanto pedíamos bola para frente, Ralf se escondia entre os primeiros atacantes dos rivais e nunca se tornava opção para a saída de jogo.
Além disso, para aqueles que defendem que o jogador poderia, ao menos, ficar no banco, cabe lembrar o salário astronômico que o camisa 5 recebe mensalmente dos combalidos cofres alvinegros.
Mas Ralf é ídolo e isso nada nem ninguém jamais apagará. Ralf está no primeiro gol da campanha invicta da Libertadores, quando tudo já parecia perdido. Está também no time que marcou o fortíssimo Santos de Neymar, superou o Boca em dois jogos, além de ser o responsável pelo chute que iniciou a pressão do gol do bicampeonato Mundial.
Ralf foi gênio ao formar a melhor dupla de volante da época do futebol brasileiro (!), com Paulinho, o que me impede, até hoje, de saber se prefiro estes dois ou Rincón e Vampeta - a dupla do primeiro mundial - na minha seleção particular.
Foi com Ralf, também, que conseguimos o belíssimo Hexacampeonato brasileiro, sem fax, num time que jogava por música com Elias, Renato Augusto e Jadson, outro que se vai, com menos idolatria, mas também marcado na história.
Quando da despedida de Danilo, escrevi, no No Ângulo, que sobravam apenas o nosso "Pitbull" e o gigante Cássio daquele time que conquistou o mundo há mais de sete anos.
Agora, só falta o nosso goleiro.
E a vida é assim mesmo. Aos poucos, o presente vai se tornando história na frente de nossa própria cara. Mas o bom é que enquanto o jogador se vai, o ídolo fica, e ninguém, absolutamente ninguém, esquecerá do que foi feito por quem vestiu o manto sagrado nesta década de ouro.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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