O Corinthians é de quem? O golpe cogitado no estatuto e o exemplo que vem do Morumbi
Opinião de Jorge Freitas
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Presidente Duílio Monteiro Alves assumiu a presidência do Corinthians em janeiro de 2021 para um mandato de três anos
Foto: Reprodução / Twitter
O colega jornalista Rodrigo Vessoni trouxe ao Meu Timão a notícia de que uma reunião do Conselho Deliberativo do clube esquentou na última segunda-feira após ser cogitada a possibilidade de extensão de um ano do mandato do atual presidente Duílio Monteiro Alves. Anteriormente, no dia 14, o mesmo Vessoni trouxe a informação de que existe um Conselho de Reforma Estatutária, liderada por André Luiz de Oliveira, o André Negão (sim, ele ainda vive e manda no clube) para a extensão do mandato tanto do presidente quanto dos conselheiros por mais doze meses, o que transformaria uma gestão trianual para quadrianual.
A princípio, Duílio Monteiro Alves teria se manifestado contrário à mudança, mas não a classificou como golpe, numa manifestação característica de políticos que querem permanecer no poder sem se sujar explicitamente com seu público.
Não se sabe exatamente se a referida mudança poderá valer para este mandato, embora haja aqueles que apoiem tal absurdo, mas o certo é que falar em extensão de mandato de um presidente eleito é um grande golpe num clube que é marcado por sua luta pela Democracia e que, por isso, precisa ser denunciado antes que se torne concreto.
Sabemos bem que há tempos o Corinthians se tornou um clubinho oligárquico (leia mais), comandado por pessoas com interesses escusos, inclusive com casos que envolvam Justiça e Polícia Federal. À torcida, que na utopia linda e maravilha é quem detém o clube, ficou renegado apenas o papel de espectador, que paga ingressos com valores altíssimos para ver o time apenas coadjuvar em boa parte das competições que disputa.
Isso claro, sem falar na enganosa criação do $SCCP, que prometeu dar poder de certas escolhas a seus portadores, mas que atualmente vale apenas 21% do seu valor de lançamento e pouco é aproveitada por essa diretoria.
Mas, voltando ao assunto principal dessa coluna, é um disparate (mais um dessa diretoria que se iniciou no primeiro mandato de Andrés e segue até hoje) cogitar tal mudança, um verdadeiro golpe estatutário. O exemplo de como isso é maléfico para o clube vem exatamente de um rival, mais especificamente do Morumbi, quando seus conselheiros literalmente rasgaram as regras de uma instituição que vinha bem financeira e desportivamente para dar ao seu então presidente Juvenal Juvêncio o direito a um terceiro mandato.
Desde então, o São Paulo simplesmente entrou em derrocada e se tornou símbolo de um clube que trocou o sucesso desportivo pela estabilidade e manutenção de seus "gestores". Enquanto eles se perpetuam, à torcida apenas os vexames.
É claro que a extensão de um ano pode parecer bem diferente do que criar um novo mandato, mas na realidade não é bem assim. Um clube é formado por aquilo que sua gestão carrega e produz. Com isso, como uma instituição que precisa de investimentos e lucros para sobreviver, a imagem passada para o Mercado é crucial para sua própria boa saúde financeira e, por consequência, desportiva.
No dia 20 de novembro de 2020, Duílio Monteiro Alves foi eleito para um mandato de três anos, sendo expressamente vedada a sua recondução ao cargo, isso é, sua reeleição. Dar a ele qualquer vantagem atualmente é um golpe ao estatuto do clube, à torcida e a todo aquele que ainda deposita algum tipo de confiança na instituição Sport Club Corinthians Paulista. O mesmo vale para todos os conselheiros eleitos.
E nem se trata de uma avaliação do mandato do atual presidente (bom ou ruim, deve cumprir no máximo seus três anos e ir embora), mas sim de estabilidade política.
Há temas muito mais urgentes para se tratar dentro do Corinthians, como a possibilidade de voto ao Fiel Torcedor, o aumento da transparência nas contas do clube e a expulsão e impossibilidade de eleição de conselheiros com reputação nada ilibada.
É o tipo de armadilha que precisamos impedir. Embora a nós, Fiel Torcedores, tem cabido apenas o papel de meros espectadores quando o assunto é política e gestão do clube.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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