Vendas do Corinthians são reflexo das atitudes da gestão Duílio desde 2021
Opinião de Jorge Freitas
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Duílio e Alessandro: vendas refletem escolhas erradas da diretoria
Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Quando Duílio assumiu o Corinthians, há quase três anos, havia consenso de que o clube precisaria de uma política de contenção de gastos para primeiro corrigir as finanças antes de voltar a protagonizar no futebol brasileiro. Um movimento parecido com o que fez o Flamengo em meados da década passada e que rendeu e segue rendendo grandes frutos nos últimos anos.
Com uma potência cambaleante em mãos, Duílio, Alessandro e Roberto de Andrade, filhos do "andresismo" que comandou a destruição do clube, preferiram seguir caminho diverso e rechearam a equipe de estrelas com salários relativamente altos, num movimento ousado que lembrava muito mais o ocorrido no Cruzeiro, anos imediatamente antes do time mineiro mergulhar à segunda divisão, praticamente decretar falência e ficar três anos longe da elite brasileira.
Com contratações de altos salários como Willian, Renato Augusto, Roger Guedes, Paulinho, Maycon, Giuliano e Junior Moraes, além da manutenção de jogadores relativamente caros como Fagner, Gil e Cássio, o Corinthians seguiu o caminho do "alto investimento em busca de um alto retorno", ou seja, aumento nas despesas em busca de melhora na receita, fundada principalmente em premiações maiores nos campeonatos disputados.
Entretanto, para isso funcionar, é preciso primeiramente acertar nos nomes que recebem altos salários, além de manter uma comissão técnica modernizada e capacitada. De nada adianta um elenco com grandes estrelas vestindo a camisa do clube sem comando técnico, sem esquema tático definido e bem longe de qualquer padrão de jogo vencedor.
E é exatamente neste ponto que a diretoria corinthiana enfiou os pés pelas mãos. Em três anos de mandato, Duílio contou com treinadores que nem de longe serviriam para comandar este ousado projeto do clube. Com despesas mais altas em busca de receitas maiores, não havia qualquer margem mínima para temporadas não vitoriosas (e aqui não falo específicamente de títulos conquistados, mas disputados).
Vagner Mancini (mantido da gestão anterior), Sylvinho, Fernando Lázaro e Vanderlei Luxemburgo estão atualmente tão distantes desta exigência, que comprova que Duílio objetivou um projeto de reconstrução sem entender exatamente qual passo a passo deveria seguir. Com isso, embora o clube tenha contratado jogadores de renome, foi coadjuvante na grande maioria dos campeonatos, e só fez valer de fato o montante investido nas últimas duas Copas do Brasil, quando foi finalista e semifinalista, respectivamente.
Com isso, o ano de 2023 acabou por se desenhar como uma temporada em que os custos com jogadores se mantiveram altos (afinal, de todos citados acima apenas William saiu, mas Yuri Alberto chegou), mas em que as receitas com premiações não atingiram o necessário para a manutenção deste mesmo elenco.
Fora das semifinais do Paulista, eliminado na fase de grupos da Libertadores, com baixa probabilidade de terminar o Brasileirão entre os 6 melhores colocados e por enquanto não classificado para a Copa do Brasil de 2024, a necessidade de vender jogadores já se comprova pelo déficit construído no primeiro semestre desse ano (incríveis R$ 61 milhões).
Dessa forma, as recentes vendas realizadas pelo clube nada mais são do que reflexo da série de erros cometidos pela diretoria, embora esta faça parecer que seja um movimento natural do mercado em razão da imensa dívida do clube, herdada apenas de anos anteriores.
Sim, o Corinthians deve, escolheu o caminho mais caro para melhorar sua dívida, mas errou na construção desta mentalidade e agora precisa se desfazer de jogadores para não estourar ainda mais os cofres do clube. Obvia e infelizmente, não são nomes como Fabio Santos, Fagner e Gil que encantam o mercado, mas sim os jovens jogadores, que acabam vendido de maneira precoce e, por vezes, abaixo do valor real.
Em resumo, o Corinthians apostou alto com jogadores renomados, ganhou nada e perdeu muito, o que faz com que essa diretoria se desespere e venda jogadores para cobrir o déficit, mesmo com o time na luta contra o rebaixamento no Brasileirão e sem vaga garantida na próxima Copa do Brasil.
Um desastre de gestão que se estende desde aquele que agora que voltar ao clube como diretor de futebol, mesmo tendo dito que, ao final de seu último mandato, sairia do clube para nunca mais voltar.
Enquanto isso, o corinthiano inicia mais uma semana tentando entender como conseguem errar tanto com o clube no qual foram eleitos para proteger.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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