A salvação do Corinthians não está dentro do Parque São Jorge
Opinião de Matheus Pogiolli
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Faixa é símbolo de protesto das organizadas no Parque São Jorge
Foto: Meu Timão
R$ 2,7 bilhões. Essa é a atual dívida do Corinthians conforme o balancete financeiro de julho de 2025. O levantamento também ressalta um déficit de R$ 103 milhões. Com dívidas a curto e longo prazo, o clube se enfiou num buraco do qual só conseguirá sair se a ajuda vier de fora.
De Andrés Sanchez a Osmar Stabile, o Timão tem algo em comum: a dívida não para de crescer. O alto déficit e os juros pesados corroem qualquer esperança do torcedor em ver o clube com uma resolução rápida dos problemas. É claro que entre os últimos presidentes, uns possuem maior culpa em relação a outros, mas em momento algum - em qualquer citação de nomes presentes no Parque São Jorge - existiu uma expectativa clara de um planejamento para resolver as pendências.
O que mais escutamos de conselheiros que concedem entrevistas é que o Corinthians poderá resolver sua situação com três boas gestões seguidas - e isso até faz sentido. Mas, fica o questionamento: quando isso aconteceu no século? Na história recente do clube, em que momento o Corinthians chegou perto de ter qualidade em gestões seguidas? A resposta é: nunca aconteceu. Nunca teve qualidade a longo prazo. E é com essas respostas que tenho certeza absoluta do título deste texto: a salvação do Corinthians não está dentro do Parque São Jorge.
Um dos grandes motivos que me faz pensar assim é a eterna politicagem. Candidatos são escolhidos por alianças construídas, e não por propostas que façam sentido para o Corinthians. Candidatos ganham prestígio ao colocar pessoas da oposição em cargos estatutários, não importando sua qualidade para tal função. Alguns possuem dificuldade em opinar sobre temas claros e polêmicos, como o escândalo dos cartões corporativos. Esse é o retrato do atual modelo associativo. Ele pode até funcionar para pessoas, mas, definitivamente, não está funcionando para o Corinthians.
Atualmente, existem poucas propostas de mudanças radicais em relação à forma como estão conduzindo o Corinthians. A possível mudança no Estatuto e o projeto da Safiel são algumas das possibilidades de um alvinegro diferente no futuro. É momento de ouvir quem está tentando fazer a diferença. Concordar ou discordar é normal. Faz parte. O que não pode existir é a ignorância de sequer escutar quem está tentando tirar o clube do fundo do poço.
Que apareçam mais projetos. Que exista mais diálogo. E que o Corinthians saia dessa situação o mais rápido possível. O clube, infelizmente, não será recuperado através do modelo associativo.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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