Ángel Romero merecia um desfecho positivo no Corinthians
Opinião de Matheus Pogiolli
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Ángel Romero levanta troféu da Copa do Brasil
Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão
No dia 4 de julho de 1992, nasceu o paraguaio Ángel Romero. Ele não sabia, mas futuramente se tornaria ídolo do maior clube do Brasil, e representante de uma das maiores torcidas do mundo - a Fiel.
Essa história começou em 2014, quando o Timão contratou o atacante junto ao Cerro Porteño. Jovem, disposto e raçudo, o paraguaio rapidamente entendeu o que significava o clube. De lá para cá, foram 377 jogos, 175 vitórias, 99 empates e 103 derrotas. As 104 participações em gols do camisa 11 fizeram-no alcançar seis títulos pelo alvinegro. Os números citados colocaram Ángel em diversos pódios na história do Timão. Além de ser o estrangeiro com mais gols na história do Corinthians, foi, durante um tempo, o artilheiro da Neo Química Arena e o maior goleador do século no clube - isso tudo antes de Yuri Alberto chegar e comandar o ataque do Timão.
Entre momentos memoráveis, como a grande atuação no 6 a 1, contra o São Paulo, ou o excelente Dérbi de 2017, e momentos desagradáveis, como sua saída conturbada para o San Lorenzo, da Argentina, Romero já dava indícios de que poderia se tornar um grande nome na história do clube. Spoiler: ele se tornou.
De 2015 até 2018, os quatro títulos conquistados posicionaram o atacante numa prateleira importante do clube. Mas foi o que ele fez em sua segunda passagem, que o consagrou como ídolo do Corinthians.
Em 2023, assim que retornou ao Brasil, Ángel foi crucial para a permanência do alvinegro na Série A. Foram dez participações em gols no ano, sendo sete nos últimos dez jogos do Campeonato Brasileiro. Contabilizando a importância dos tentos, foram praticamente 13 pontos adquiridos na reta final da temporada citada, o que foi essencial para a fuga do rebaixamento.
Em 2024, os números foram ainda melhores: 14 gols e oito assistências, sendo quatro desses passes para gols, nas últimas quatro partidas do Brasileirão. 22 participações em bolas na rede - contando apenas jogos oficiais - foram o suficiente para explicar uma renovação de contrato até o fim de 2025. Ele mereceu esse contrato. Ele tinha propostas para sair, mas preferiu ficar. O que nos leva a 2025.
Na atual temporada, Romero não conseguiu repetir as atuações de outros anos, tampouco os gols ou assistências de edições passadas de liga ou copa. Ainda assim, teve uma importância considerável no extracampo. A voz e o tamanho do 'anjo' ajudaram o elenco a ter alguém a ser seguido, além de virar um auxílio aos garotos da base que subiram ao profissional. É claro que apenas isso não define uma temporada como boa ou ruim, mas certamente é um diferencial - ainda mais no turbilhão de negatividade que se tornou o Corinthians em 2025.
Ángel tem poucos dias de contrato, e o que me motivou a escrever esse texto é a falta de diálogo claro entre diretoria e jogador. Não sabemos se ele fica ou sai. Sequer temos informações da vontade da presidência quanto ao assunto. O que me leva a ter quase certeza de uma saída do paraguaio.
Não foi uma grande temporada para o camisa 11, mas é evidente que temos mais coisas positivas do que negativas para discutir sobre a história de Ángel Romero no clube do Parque São Jorge. Honrou a camisa, entregou tudo em campo e saiu com o uniforme sujo em praticamente todos os jogos que disputou. Tem que ser valorizado.
Se o inevitável acontecer e o paraguaio realmente sair do Corinthians, tenho tranquilidade em falar que o considero um ídolo. Pelos números, pelos títulos, mas, principalmente, pela sinergia com o torcedor e a representatividade corinthiana dentro de campo. Eu enxergo Corinthians em Romero.
A certeza que fica é que o manto alvinegro foi totalmente representado por um dos maiores estrangeiros da história do Sport Club Corinthians Paulista.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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