Ronniery Monteiro
Eu tinha apenas 14 anos quando vivi uma das noites mais emocionantes da minha vida. Meu pai, Enaldo Alves, corintiano roxo, fez um pedido especial: queria que a gente assistisse juntos à final do Paulistão de 2020. Era o clássico contra o Palmeiras, na casa deles. Mesmo já doente cancer, ele insistiu. Disse: 'Filho, esse jogo eu não posso perder. Quero ver com você.'
Foi difícil conseguir, ir ele andava devagar, mas demos um jeito. E lá fomos nós para a Arena, juntos. Ele, vestindo a camisa branca do Timão, com aquele brilho no olhar que só quem vive Corinthians entende. A emoção de ver o manto alvinegro em campo, de cantar com a torcida e sentir o estádio pulsando… foi algo que me marcou pra sempre.
A tensão era enorme. O jogo foi pegado, nervoso, digno de final. E a gente ganhando deles na casa deles, eu lembro dele GRITAR ISSO É CORINTHIANS, MINHA VIDA MINHA história MEU AMOR.. AQUI É CURINTIA FILHOO... Aquele dia ficou eternizado como o nosso último momento juntos no estádio. O que importava não era o resultado. Era o que estávamos vivendo.
Pouco tempo depois, perdi meu pai.
Mas aquela lembrança continua viva: nós dois lado a lado, abraçados no gol, com lágrimas nos olhos e o coração cheio de amor. Até hoje, guardo o ingresso como um troféu. Sempre que sinto saudade, fecho os olhos e escuto a voz dele dizendo: 'Aqui é Corinthians!'
O Corinthians me deu mais do que títulos. Me deu uma memória eterna, uma conexão com meu pai que o tempo não apaga.
Obrigado, meu Timão. Por aquele dia. Por todos os dias. 🖤🤍
em Bate-Papo da Torcida > Uma final, um pedido, uma despedida: o Corinthians me deu o último...









