Isso Mesmo
O tópico (e o texto) mais lindo que já vi na história desse fórum.
Era contra a vinda do Diniz mas que se lasque, o Diniz será muito Corinthians.
em Bate-Papo da Torcida > Diniz e Corinthians: O Triunfo do Abismo
Em resposta ao tópico:
Amigos, o Corinthians não é um clube, é uma patologia sagrada. E Fernando Diniz não é um técnico, é um personagem que se perdeu em uma lateral de campo. A notícia da sua chegada ao Parque São Jorge caiu sobre a Fiel como uma dessas chuvas de verão que lavam a alma, mas que também ameaçam o desabamento do barraco.
Digo: o encontro entre o Corinthians e o Dinizismo é o casamento mais inevitável da história do futebol brasileiro. Um casamento de sangue, suor e, sobretudo, de mútua loucura.
O corintiano, esse sujeito que carrega a cruz do sofrimento com o orgulho de um imperador, encontrou finalmente o seu profeta. Porque Diniz não quer apenas o gol; ele quer a transcendência pelo risco. Ele exige que o zagueiro saia jogando dentro da pequena área, sob a pressão de três atacantes babando ódio, com a calma de quem toma um café no Viaduto do Chá.
'O passe curto na defesa é o nosso drama shakespeariano. É o 'ser ou não ser' com a chuteira suja de barro.'
Para o Dinizismo, a bola é a amada imortal. Não se chuta a amada para longe; não se dá o 'bicão' infame, esse gesto de covardia moral. O Dinizista prefere morrer abraçado à bola, no fundo da rede, a cometer o pecado capital da voadora sem destino.
Já vejo as arquibancadas. O 'Sobrenatural' estará lá, sentado no travessão, observando a saída de bola. A cada passe curto, o corintiano — esse ser que já nasceu com a pressão arterial de um enfartado — sentirá o gosto de metal na boca. É o medo? Não, amigos. É a volúpia do perigo.
O Corinthians de Diniz será uma equipe de onze narcisos, cada um apaixonado pelo próprio toque de bola, enquanto o destino, esse vilão de folhetim, espreita no erro de um volante.
Dirão os sics : 'Mas, e os resultados? E a eficiência? '. Ora, a eficiência é o consolo dos medíocres! O que importa é o fervor. Diniz olhará para o bando de loucos e dirá: 'Chamem-me de gênio ou chamem-me de louco, mas não me chamem de pragmático!'.
No Parque São Jorge, a saída de bola por baixo será elevada à categoria de dogma religioso. E se o gol adversário vier de um erro na pequena área, o corintiano apenas suspirará, com a resignação dos Santos, sabendo que ali se viveu uma tragédia digna de um Grego.
Porque, no final das contas, o Corinthians é o único lugar onde o 'perder jogando bonito' pode ser perdoado, desde que se sangre no processo. E Diniz, com seu olhar de quem vê o invisível, é o técnico que vai ensinar o Timão que sofrer é pouco; é preciso delirar.
A conferir.


