Ednilson Valia
Sempre que ouço, leio ou assisto que a Libertadores ou o Mundial são os maiores títulos da história do Corinthians, peço a absolvição de quem diz isso a São Jorge. Nós não torcemos por torcer. Somos operários do Timão; temos uma função no estádio que é jogar junto. Não idolatramos jogadores individualmente; nós chutamos e defendemos com os onze que estão em campo.
Apesar da magnitude internacional das conquistas recentes, o Paulistão de 1977 foi o verdadeiro divisor de águas. Foram 22 anos, oito meses e sete dias de jejum que forjaram nosso caráter e selaram o que seríamos pelo resto dos nossos dias. Ali, o corintianismo deixou de ser apenas um apoio a um clube de futebol para se tornar uma resistência coletiva. Se hoje somos a 'Fiel', é porque fomos batizados no fogo daquele sofrimento.
Ganhar o mundo foi a consequência de termos sobrevivido ao deserto. O título de 2012 é o orgulho que exibimos para os outros, mas 77 é o segredo que guardamos entre nós, a prova de que nossa existência não depende de troféus de ouro, mas da nossa capacidade de não abandonar o barco. Ser Corinthians é saber que, mesmo no silêncio das derrotas, nosso grito é o que mantém o clube vivo.
No fim das contas, a taça da Libertadores está na prateleira, mas o espírito de 77 está na nossa pele. É por isso que, para nós, o cronômetro nunca para no apito final; ele continua rodando em cada operário da arquibancada que sabe que, ganhe ou perca, o Corinthians é, antes de tudo, a gente.
