Quase Tm
Você quer a verdade? Senta aí. Porque o que vou te contar não é bonito, mas é real.
A imprensa esportiva não ama o Palmeiras. Ela lambe as botas do Palmeiras. É diferente. E detona o Corinthians com um prazer que beira o doentio. Pode anotar.
O Palmeiras pode fazer o que for. Se ganha, é lindo. Se perde, foi azar. Se o juiz marca pênalti a favor, foi visão de jogo. Se marca contra, foi roubo. A análise tática do time alviverde sempre tem profundidade. Os caras chamam de “projeto”, de “planejamento”, de “gestão moderna”. O técnico é gênio. A diretoria é competente. O estádio é uma obra de arte. Até a grama do Allianz vira pauta de matéria especial.
E os jornalistas? Ah, esses andam com um lenço no bolso para limpar a baba. Quando o Palmeiras vence, as manchetes vêm com adjetivos de dicionário de poeta: “avassalador”, “imponente”, “monumental”. Quando perde, o texto vem macio, como se fosse um atestado médico para não magoar o paciente: “o time sentiu a maratona”, “teve um dia infeliz”. Nunca é incompetência. Nunca é soberba. É só um tropeço. Coitado.
Agora muda o canal. Fala do Corinthians.
O Corinthians pode estar invicto há dez jogos. A imprensa vai destacar o único gol que tomou. Pode vencer um clássico com um a menos. A manchete vai ser sobre a expulsão. Pode levantar taça. No dia seguinte, a primeira pergunta para o técnico é sobre quem não jogou bem.
Os caras têm um radar para o erro do Corinthians. O goleiro faz uma defesa milagrosa: silêncio. Faz uma saída de bola errada: reprise em câmera lenta, análise de três especialistas, comparação com o erro de 2015 e enquete no ar. O atacante perde um gol: os caras tratam como tragédia grega. O zagueiro falha: pedem a aposentadoria no intervalo.
A diferença está na entonação. É no microfone. É no olhar. O narrador quase chora quando o Palmeiras leva perigo. E quase ri quando o Corinthians sofre um gol. Nos programas de mesa-redonda, os debatedores têm um tratamento especial para o time do Parque São Jorge: venceram, mas não convencem. Perderam, era esperado. Ficaram no empate, crise na Gaviões.
E a cereja do bolo : as comparações históricas. Quando o Palmeiras ganha dois títulos seguidos, é “era vitoriosa”. Quando o Corinthians faz o mesmo, é “sorte e aproveitamento” . A imprensa esportiva brasileira construiu uma narrativa de que o Corinthians é bagunça, raça, sofrimento, e o Palmeiras é organização, técnica, excelência. Só que a excelência pode ser chata, e a bagunça, às vezes, ganha.
Mas o jornalista não perdoa. Porque torcer, ele torce, mas disfarça. E, no disfarce, a injustiça vira rotina.
em Bate-Papo da Torcida > Por que a Imprensa aplaude o Palmeiras e condena o Corinthians?













