Ednilson Valia
A realidade insiste em esfregar nossa cara no asfalto. Agora imagine o seguinte delírio: R$ 815 milhões na mesa. Não é promessa de campanha, não é devaneio de dirigente em podcast. É dinheiro vivo. Notas empilhadas como pecados antigos. E o Timão, esse organismo que mistura fé, desespero e arquibancada, teria a chance de se reinventar — ou de se afundar com estilo.
Comecemos pelo goleiro reserva, porque no Corinthians até o banco precisa ter alma. Bento, hoje no Al-Nassr, seria um nome seguro. Custaria algo na casa dos R$ 40 milhões. Não viria para fazer sombra apenas, mas para instaurar paranoia — e goleiro bom em Itaquera vive disso: da dúvida eterna.
Na zaga, o Corinthians pisaria firme, como quem entra numa briga de bar. Para um dos lados, Fabrício Bruno, do Cruzeiro, por cerca de R$ 45 milhões. Zagueiro de enfrentamento, de contato, de olhar atravessado. Ao lado dele, um estrangeiro: Yerry Mina, hoje no Cagliari, por aproximadamente R$ 30 milhões. Mina é exagerado, teatral — e o Corinthians sempre teve uma queda por quem transforma defesa em espetáculo.
No meio-campo, o primeiro volante precisa ser mais do que marcador. Precisa ser carrasco. João Gomes, do Wolverhampton, por algo em torno de R$ 140 milhões. Ele joga como quem resolve pendência antiga: intensidade, bote seco, pulmão infinito. Não negocia esforço, não pede trégua.
Mais à frente, o meia. E aqui o Corinthians pisaria na linha tênue entre genialidade e loucura. Alan Varela, do Porto, por cerca de R$ 90 milhões. Não é o típico meia de firula — e talvez por isso mesmo funcione. Organiza o caos, dá ritmo ao desespero, equilibra o time sem pedir aplauso. No Corinthians, quem não aparece demais costuma ser essencial.
Pela beirada, velocidade e desespero. O Corinthians precisa de alguém que corra como quem foge da polícia. Brian Rodríguez, do América do México, por aproximadamente R$ 50 milhões. Não é craque consolidado, e isso é perfeito. Em Itaquera, a promessa vira religião rápido demais.
E então, o centroavante. O nome que carrega a cruz. O homem que vai ser culpado por tudo. Vlahović, da Juventus, por algo próximo de R$ 250 milhões. Um investimento brutal, quase irresponsável — portanto, profundamente corintiano. Centroavante que não pede licença, que invade a área como quem arromba uma porta.
No fim das contas, sobraria dinheiro. E isso é perigoso. Porque o Corinthians nunca soube lidar com sobra — seja de esperança ou de caixa. Montaria um time competitivo? Sim. Mas, mais do que isso, montaria um time com personalidade, com defeitos, com vícios.
Porque no Corinthians, vencer nunca foi suficiente. É preciso sofrer, duvidar, quase desistir — para então acreditar de novo.
E com R$ 815 milhões, o Timão não compraria apenas jogadores.
Compraria o direito de continuar sendo, essencialmente, um drama.
em Bate-Papo da Torcida > Quem o Timão contrataria com os R$ 815 milhões que o...

