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Aprofunde-se no escândalo desse número, que brilha como um astro sombrio sobre o futebol brasileiro: 1,4 bilhão de reais gastos apenas em contratações por essa dupla de novos-ricos. É uma cifra que afronta a lógica e humilha a pobreza alheia. Com esse dinheiro, jogado no balcão como quem compra pão na esquina, seria possível erguer três Neo Química Arenas, pagas à vista, sem que o fantasma dos juros viesse assombrar as madrugadas dos clubes. É a opulência que não pede licença; é o triunfo do metal sobre a mística.
Enquanto Corinthians e São Paulo vivem o purgatório das finanças, com o torcedor aceitando o erro do juiz como quem aceita um castigo de pai rigoroso, Palmeiras e Flamengo compram o destino. Gastar um bilhão e meio de reais em jogadores é transformar o campeonato em um jogo de cartas marcadas, onde o talento é apenas um detalhe diante do peso do ouro. E, no entanto, esses mesmos clubes, fartos e nababescos, vestem o figurino da vítima, proclamando-se perseguidos sempre que a realidade ousa contrariá-los.
O torcedor corintiano e o são-paulino, esmagados pela má gestão de seus dirigentes, cometem o erro trágico de achar que sua 'sujeira' administrativa justifica o roubo no campo. Eles silenciam diante de pênaltis negados e expulsões seletivas porque sentem-se moralmente menores diante do 1,4 bilhão alheio. É a castração do grito pela indignação.
E no comando desse exército de mercenários caríssimos, os dois europeus mais arrogantes da paróquia — Abel Ferreira e José Boto — ditam normas de etiqueta que eles mesmos desconhecem. É o cinismo perfeito: compram-se as melhores pernas do continente e, quando o apito falha a favor deles, como no gol legalizado contra o Santos ou no pênalti inventado contra o Vasco, o mundo deve se calar. O futebol brasileiro tornou-se esse palco de sombras, onde o saldo bancário dita quem tem direito à justiça e quem deve, humildemente, aceitar o chicote da derrota.
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