Marcio Castro
O resumo é simples.
NÃO TEM DINHEIRO.
Pq vocês gostam tanto de se iludir?
Apoiaram Augusto. Agora estão nessa outra bobagem.
em Bate-Papo da Torcida > Resumo do projeto SAFiel e por que é tão necessário
Em resposta ao tópico:
A dívida do Corinthians está em torno de R$ 3 bilhões e o clube tem se tornado assunto frequente em páginas policiais, por conta das intensas disputas políticas internas e governança amadora sem cultura empresarial. Esse cenário devastador foi o pretexto para o lançamento do projeto SAFiel.
Auditorias externas e independentes constataram: • GF Brasil (Auditoria de 2024): O parecer apontou uma 'incerteza relevante quanto à capacidade de continuidade operacional'; • Administrador Judicial (RCE 2025): o administrador nomeado pelo juiz avaliou a saúde financeira do clube e concluiu que há 'dúvidas consistentes' quanto à capacidade do Corinthians de honrar sequer as suas contas ordinárias mensais; • Parker Russell (Auditoria de 2025): O relatório destacou um patrimônio negativo de R$ 774 milhões, capital de giro negativo e déficits operacionais persistentes, definindo esses indicadores como 'sinalizadores clássicos de risco de insolvência'.
Além disso, a aprovação da Reforma Tributária e suas regulamentações trazem uma mensagem clara para o futebol brasileiro: a era do amadorismo não será apenas punida desportivamente, mas inviabilizada fiscalmente. O diagnóstico é unânime: cria-se um abismo tributário onde permanecer como associação civil pode custar o dobro, ou mais, em impostos do que migrar para o modelo empresarial regulamentado pela Lei das SAFs.
RESUMINDO: o Corinthians precisa de dinheiro novo. Muito dinheiro!
Diante desse cenário o projeto SAFiel propõe a criação de uma empresa, no modelo SAF, cujas ações poderiam ser adquiridas por torcedores. Na prática, a própria torcida se tornaria acionista, com a possibilidade de votar em assembleia geral e eleger os conselheiros que decidirão os rumos administrativos do futebol do Corinthians.
Nesse modelo todas as propriedades do futebol do Corinthians (masculino, feminino e categorias de base): direitos econômicos e federativos de atletas, contratos de patrocínio, licenciamentos, arena, centro de treinamento, entre outros, serão separadas do clube social e migradas para esta nova empresa, chamada de SAFiel, que seria a responsável por gerir as operações esportivas, financeiras e administrativas do futebol, profissionalizando a governança, e comprometendo-se a equacionar passivos (projeção de zerar a dívida em até 3 anos).
Dessa forma, a estrutura societária da SAFiel será composta por dois polos proprietários: de um lado o Parque São Jorge, que aportaria os ativos do futebol e as dívidas do clube, e do outro lado os torcedores investidores (acionistas), reunidos sob o CNPJ da holding Invasão Fiel S.A, que entraria com o aporte financeiro.
A marca Corinthians continuará 100% sob propriedade do clube social, que receberá da SAFiel um aporte inicial correspondente a 2% do valor da captação das ações, e também passará a receber uma receita recorrente de royalties pelo uso da marca.
Do lado da Invasão Fiel S.A serão ofertadas 10 milhões de ações ordinárias (ON) pelo preço unitário de 250 reais. Logo, o valor referencial base do aporte é de R$ 2,5 bilhões, com previsão de uma suplementação de 20% em caso de excesso de demanda, elevando o aporte para R$ 3 bilhões. Se necessário seriam admitidos investidores institucionais e pessoas jurídicas, que comprariam outra classe de ações, as preferenciais (PN) que não dão direito a voto.
A estrutura da SAFiel é composta por quatro órgãos centrais: o Conselho de Administração, o Conselho Fiscal, o Comitê de Governança e a Diretoria Executiva. Terá também um Conselho Consultivo, um Conselho Cultural e um Conselho de Valorização do Torcedor.
A Diretoria Executiva será composta por mínimo 8 diretores estatutários com dedicação exclusiva: CEO (Diretor Executivo), CFO (Diretor Financeiro), CRO (Diretor de Receita), Diretor de Futebol, Diretor de Marketing e Comercial, Diretor Jurídico e de Compliance, Diretor de Operações e Diretor de Inovação e ESG.
O Conselho de Administração é o órgão mais poderoso da estrutura decisória. Entre suas atribuições estão o estabelecimento das metas esportivas para o futebol masculino, feminino e de base, e a nomeação ou eventual destituição do CEO. É o órgão que contrata, supervisiona, orienta e fiscaliza a gestão executiva, atuando como um elo entre os acionistas e a Diretoria Executiva.
Os conselheiros serão independentes. Nenhum acionista poderá ser membro do Conselho de Administração. Os candidatos deverão preencher alguns requisitos específicos, tais como: Experiência relevante como gestor ou conselheiro de companhias listadas na B3 ou SAFs ou instituições financeiras; Experiência em governança corporativa, captação de recursos, IPOs ou M&A; Conhecimento de ESG (Environmental, Social & Governance) e sustentabilidade; entre outros. Para a eleição do Conselho de Administração terá uma lista única de candidatos onde os votos serão apurados por distrito, ou seja, cada distrito um elege uma cadeira, elegendo assim os 5 membros do Conselho.
O Comitê de Governança é órgão responsável por habilitar os candidatos que possam ser votados em assembleias aos cargos que representam os acionistas, nos termos do estatuto social. Sua função é basicamente assegurar a qualificação mínima dos candidatos atestando a respectiva elegibilidade.
Proposta de captação antecipada: A Invasão Fiel S.A compromete-se a envidar esforços para a obtenção de recursos antecipados, durante a etapa de diligências (due diligence), antes mesmo da captação pública, para pagamento de compromissos financeiros críticos, visando a proteção e o equilíbrio emergencial do caixa e/ou a quitação da dívida com a Caixa Econômica Federal relativa à Arena Corinthians, desobstruindo imediatamente parcela relevante das receitas hoje retidas pelo financiamento.
Política de distribuição de dividendos para os acionistas: de acordo com as leis brasileiras não é possível à uma sociedade anônima proibir de forma absoluta a distribuição de lucros aos acionistas. Uma S.A. Pode postergar, limitar ou organizar a distribuição de lucros, mas não pode proibir para sempre sem violar direitos dos acionistas e a própria natureza do investimento.
O Projeto especifica que durante os primeiros 5 anos (período de lockup) a SAF reterá e reinvestirá todo o lucro gerado, de tal forma que não haverá distribuição de dividendos aos acionistas neste período. A partir do sexto ano, os dividendos ficarão limitados a 25% do lucro, preservando-se o reinvestimento mínimo de 75%. Esta determinação, no entanto, não impede a gestão de apresentar aos acionistas corinthianos um plano de negócios que proponha e justifique o reinvestimento, por exemplo, de 100% dos lucros em determinado período fiscal, submetendo-o à aprovação da assembleia geral de sócios.
Mercado interno de ações: Após o período de lockup, será ativado um ambiente interno, privado e autorregulado de negociação de ações entre pessoas físicas elegíveis, supervisionado pelo Conselho de Administração da SAFiel.


