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Dentre muitas coisas, faltou ainda capitania ao Corinthians.
Beatriz Maineti

Apaixonada pelo futebol, mas, antes de tudo, feita de Corinthians. O mundo em preto e branco é mais bonito.

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Dentre muitas coisas, faltou ainda capitania ao Corinthians.

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Dentre muitas coisas, faltou ainda capitania ao Corinthians.

Romero ostentou a braçadeira de capitão no jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil

Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Na última quarta-feira, horas antes das partidas que iniciariam a disputa das quartas de final da Copa do Brasil e de alguns dos jogos atrasados do Campeonato Brasileiro, a Confederação Brasileira de Futebol instituiu uma nova regra: a partir daquele momento, só o capitão do time estava autorizado falar com o árbitro de campo. Sem choro nem vela. Dos 11 atletas dispostos em campo, só um teria abertura para contestar decisões, fazer solicitações e resolver os problemas das quatro linhas.

Para quem fez aquele primeiro jogo após a determinação, tudo ainda parecia confuso. São Paulo e Atlético-MG se enfrentaram no Morumbis pela Copa do Brasil e, com um jogador incisivo e muito presente na vida da arbitragem, não sentiu a mudança. Já o rival corinthiano, que se vale da pressão exercida por vários de seus atletas, como Calleri e Luciano, ficou perdido nos 90 primeiros minutos da decisão. No jogo atrasado do Campeonato Brasileiro entre Internacional e Cruzeiro, a equipe gaúcha fez duas trocas de capitão para não correr o risco de perder seu líder por uma possível expulsão por reclamação.

O Corinthians entrou em campo no Estádio Alfredo Jaconi, também pela Copa do Brasil, na quinta-feira. A regra, apesar de ainda ser novidade, não era mais uma surpresa para o elenco de Ramón Díaz que, convenhamos, sofre com a ausência de uma cobertura mais firme na equipe de arbitragem dentro de campo. Com a nova imposição, era de se esperar que aquele que ostentasse a braçadeira fizesse valer o canal de diálogo exclusivo com o portador do apito.

O nome escolhido para segurar esse rojão foi Ángel Romero, e nada parecia mais óbvio do que isso. O camisa 11 tem mais tempo de casa, é querido pela torcida, conhece o clube nos seus mais diversos momentos. Pelo extracampo, não havia dúvidas: daqueles escolhidos por Ramón Díaz para começar o campo, o capitão tinha que ser, sem dúvida alguma, ele.

Dentro de campo, porém, a conversa era outra. Com três minutos de jogo, Pedro Henrique é amarelado por uma falta - bem marcada, diga-se de passagem - no campo de ataque do Corinthians. Menos de um minuto depois, Nenê entra com força nas pernas de Yuri Alberto na frente do banco de reservas do Timão e o árbitro, absurdamente permissivo com os donos da casa, assinalou a falta mas ignorou a intensidade da mesma. Ángel Romero, que estava distante do lance, lá ficou.

Precisou que Ramón Díaz se manifestasse de forma incisiva para que o árbitro ouvisse alguma reclamação corinthiana, já que os demais atletas dentro de campo estavam sujeitos ao seu capitão. O técnico reclamou, fez escândalo, e viu seus jogadores do banco de reservas fazerem exatamente a mesma coisa. Cacá, que se exaltou na reclamação, tomou um amarelo - o terceiro no agregado, alias, o que o deixa suspenso para a partida de volta.

A narração de jogo mal falou de Ángel Romero com a bola nos pés, e parecia nem nomeá-lo como capitão nos momentos em que o Corinthians tinha coisas a reclamar com a arbitragem - e olha que houveram vários ainda no primeiro tempo! Faltas invertidas, impedimentos não assinalados, laterais trocados. Ainda assim, nem um único piu, mesmo que sussurrado, do capitão corinthiano.

Esse, definitivamente, não é o maior dos problemas do Corinthians na temporada de 2024. Passa longe disso, alias. Mas, no fim das contas, ele anda em paralelo com todos os outros. Afinal, como exigir organização tática e anímica de uma equipe cujo capitão foge dos lances decisivos dentro de campo?

A situação melhorou após o intervalo, quando o zagueiro Gustavo Henrique passou a segurar a braçadeira. O jogador, que fez boa partida com a bola nos pés, fez questão de participar ativamente das dicussões dentro de campo, e foi presença forte em um dos lances de maior reclamação do Corinthians, quando o árbitro assinala um tiro de meta para o Juventude de forma totalmente equivocada. O jogador também foi o responsável por pressionar a arbitragem após o segundo gol dos donos da casa que, para quem jogava e para quem assistia, levantou questionamentos quanto a sua legalidade.

O goleiro Hugo, que também já foi capitão deste Corinthians, exerceu forte liderança em seu time apesar do pouco tempo de casa. O mesmo vale para o zagueiro André Ramalho, que é uma referência dentro e fora das quatro linhas. Estas foram escolhas certeiras de capitania. E, em um momento de alterações nas regras com as quais os jogadores se acostumaram, a presença de um nome imponente com a braçadeira é fundamental. Apesar de querido e muito representativo, Romero não é esse nome. E nem pode ser.

Veja mais em: Romero e Ramón Díaz.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Beatriz Maineti

Apaixonada pelo futebol, mas, antes de tudo, feita de Corinthians. O mundo em preto e branco é mais bonito.

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