O aproveitamento do Corinthians na janela reflete no campo
Opinião de Beatriz Maineti
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O Corinthians fez nove contratações na janela de meio de ano para melhorar a equipe que já lutava contra o rebaixamento
Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians
No dia 2 de julho de 2024, dia em que o Corinthians anunciou oficialmente o desligamento de António Oliveira do cargo de técnico do clube, eu publiquei aqui um texto pedindo para que a troca de técnico não fosse o único bote salva-vidas. Já na zona de rebaixamento, o time na época ostentava uma vitória em 13 jogos e era difícil encontrar razões lógicas que indicassem o time nas oitavas de final da Copa do Brasil e da Conmebol Sul-Americana.
Na época, eu pedi para que a diretoria do Corinthians olhasse com mais cuidado para o elenco e entendesse que, do jeito que o time estava montado, talvez não conseguisse mais do que já havia feito até ali. A reformulação do time, proposta no início da temporada, não havia surtido o efeito necessário e a equipe possuía lacunas que nenhum outro treinador, independentemente de quem fosse, conseguiria preencher sem reforços.
Mais de uma semana depois, o Corinthians anunciou a chegada de Ramón Díaz como novo treinador. O argentino trouxe na bagagem seu filho e auxiliar técnico, Emiliano Díaz, e recebeu de presente de boas-vindas uma série de contratações.
A primeira delas foi o goleiro Hugo Souza, que chegou com a difícil missão de substituir Cássio e Carlos Miguel. Em seguida, foi a vez do zagueiro André Ramalho e do volante Alex Santana. Charles veio logo depois, assim como o espanhol Héctor Hernández, seguido por Talles Magno e José Martínez, ambos vindos do futebol estadunidense. Por último, dois jogadores estrangeiros e com abrangência internacional: o meia/atacante André Carrillo e o atacante Memphis Depay.
De uma vez só, o Corinthians fez nove contratações entre julho e setembro. Conforme os jogadores foram chegando, assumiram rapidamente a titularidade e transformaram uma equipe remendada em um time minimamente mais coeso. Com uma organização básica implementada pelo treinador, e às vezes até abandonada por ele, os resultados começaram a aparecer.
A história fica ainda melhor quando lembramos que, para reforçar o time no meio do ano, o Corinthians gastou “só” R$ 30 milhões. O clube pegou a carteira para comprar apenas Charles, Alex Santana e José Martínez, enquanto os demais atletas vieram por empréstimo ou depois de terem seus vínculos com outros clubes encerrados.
Pela primeira vez em sabe-se lá quanto tempo, uma gestão corinthiana não se apoiou única e exclusivamente na troca de comando técnico para resolver os problemas do time. A decisão de demitir António Oliveira não foi, como eu havia pedido em julho, o ponto final da história, mas sim o início de um novo capítulo. Fabinho Soldado, diretor executivo do Corinthians, foi a cara dessa reconstrução, e merece parabéns por isso.
O Corinthians contratou, chegou às semifinais da Copa do Brasil e da Conmebol Sul-Americana e viu a melhora chegar também no Campeonato Brasileiro. Ramón Díaz chegou a 16 rodadas disputadas na última segunda-feira, mesmo número que António Oliveira atingiu no Corinthians, e manteve a 54% de aproveitamento, com 26 pontos conquistados de 38 possíveis.
Apesar dos pesares, é preciso dar mérito à família Díaz. O treinador argentino conseguiu imprimir um estilo de jogo coeso no time do Corinthians e transformou a equipe em um plantel mais combativo em campo. É claro que ele mesmo se complicou ao abrir mão das próprias convicções nas semifinais da Copa do Brasil e da Conmebol Sul-Americana, mas ele ainda segura parte dos louros pela melhora do time na temporada.
A questão é: será que ele teria esse mesmo aproveitamento se o clube não tivesse reforçado o elenco corinthiano? Jamais saberemos - e ainda bem! Ainda tem muita coisa para acontecer no futebol brasileiro em 2024. O Corinthians não está livre do rebaixamento e, ao mesmo tempo, não está descartado na primeira metade da tabela no Campeonato Brasileiro, o que é uma loucura. Porém, esta só é uma realidade na vida do torcedor porque o clube fez boas escolhas na janela. Fabinho
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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