Só não pode na Zona Leste de São Paulo
Opinião de Beatriz Maineti
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Corinthians enfrentou o Vasco com a Neo Química Arena vazia em 2023 como punição por gritos homofóbicos
Foto: Jhony Inácio / Meu Timão
O segundo final de semana de fevereiro foi marcado por clássicos do futebol nacional em fases decisivas dos campeonatos estaduais. Particularmente, sou muito fã das competições regionais e uma das grandes defensoras do formato que, na minha opinião, é um atrativo interessantíssimo para o futebol nacional.
Justamente por isso, costumo acompanhar da melhor forma possível as competições nos grandes centros brasileiros, e me peguei assistindo Flamengo e Vasco pela semifinal do Campeonato Carioca no último sábado. Em termos de campo e bola, o jogo poderia ter sido melhor. Mas não é sobre isso que vim falar.
Foi ainda nos primeiros minutos do segundo tempo que aconteceu aquele que, na minha opinião, é o lance capital da partida. Philippe Coutinho, ex-jogador de Barcelona e Liverpool que atualmente defende o Vasco da Gama, foi substituído aos 54 minutos de jogo, e a torcida do Flamengo entoou, alto, gritos homofóbicos. Não foi velado, não houve um jogo de palavras na música… nada. Aberto, claro e sonoro para que todos pudessem ouvir.
Diante dos gritos, o narrador da emissora detentora dos direitos de transmissão da partida tentou contornar a situação dizendo que os flamenguistas chamavam o jogador de “bichado”, em referência às várias lesões que ele sofreu nos últimos anos. Foi em vão. Era claro para todos que assistiam ao jogo com som o que acontecia no Maracanã.
Assim como foi claro quando os torcedores do Vasco, durante o jogo de ida, entoaram gritos de conteúdo idêntico no estádio Nilton Santos, e como foi quando a vítima era o Fluminense. E isso no Campeonato Carioca de 2025, no Brasileirão de 2024, de 2023, de 2022 e por aí vai. Tudo isso de forma totalmente impune. E isso falando apenas do Rio de Janeiro, mas podemos citar também clássicos no Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia e tantos outros.
A questão aqui é que, até hoje, apenas um clube brasileiro foi punido severamente por gritos homofóbicos entoados em seu estádio: o Sport Club Corinthians Paulista. E não me entendam mal! A punição, que obrigou o Timão a jogar uma partida completa com portões fechados - diante do próprio Vasco, ainda em 2023 - foi totalmente justa! O problema, porém, é que, infelizmente, o exemplo não foi seguido em outros casos.
Homofobia é crime no Brasil desde 2019. Desde então, a campanha pelo fim do preconceito corre solta pelos estádios brasileiros, mas casos “isolados” se repetem a cada rodada de cada campeonato disputado. É triste ver que a evolução na luta contra a descriminação é barrada nas arquibancadas.
O exemplo do Corinthians precisa ser seguido a ferro e fogo. É só assim que se cria qualquer tipo de consciência social para evitar a proliferação desses gritos. O ideal seria que fosse possível punir o CPF, não o CNPJ, pelos crimes cometidos nas arquibancadas, mas é preciso ter uma personificação do culpado. Os estádios brasileiros não podem mais abrir espaço para a homofobia.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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