Precisamos fugir de um replay assustador
Opinião de Beatriz Maineti
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Augusto Melo corre contra o tempo para fechar com novo treinador
Foto: Wanderson Oliveira / Meu Timão
Em julho de 2024, a diretoria do Corinthians comunicou oficialmente o desligamento do técnico António Oliveira do comando técnico do time de futebol profissional masculino. A decisão já havia sido tomada semanas antes, mas o ponto final veio depois de uma derrota para o Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro.
Apesar de ter segurado o treinador português no cargo, a diretoria corinthiana não tinha um técnico engatilhado para suprir a ausência de António Oliveira. O nome preferido na época era o de Fábio Carille que, até então, era técnico do Santos na disputa pelo acesso à Série A do Campeonato Brasileiro. Augusto Melo até tinha um plano B, que era justamente Ramón Díaz, mas esperava que o treinador multicampeão pelo Timão desse o sinal positivo.
Entre a demissão de António Oliveira e o acerto com Ramón Díaz, o Corinthians enfrentou o Vitória, o Cruzeiro e o Vasco no intervalo de uma semana e meia. A decisão de trazer o treinador argentino, que se provou correta com o passar do tempo, foi tomada tardiamente, apesar de ele já estar livre no mercado desde o início de 2024.
A verdade é que a diretoria corinthiana, na época, errou na demora para se decidir. Essa atitude custou ao time do Corinthians seis pontos que poderiam ter posto fim ao calvário da equipe na briga contra o rebaixamento muito antes.
Agora, o clube vive um momento semelhante. Ramón Díaz atingiu o teto de seu desempenho no Corinthians depois de uma campanha exemplar na luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2024 e a conquista do título Paulista em 2025. Na última quinta-feira, a era do argentino chegou ao fim e ele deixou o CT Joaquim Grava pela porta da frente.
Desta vez, porém, é preciso aprender com os erros cometidos ainda na última temporada. Em 2024, Augusto Melo poderia ter alegado inexperiência, culpado a bagunça no departamento de futebol em meio a tantas mudanças de comando e até usado a desculpa do caos político do clube - que se mantém - para justificar a demora na contratação de um novo treinador pós-António Oliveira. Agora, não há mais justificativas cabíveis.
O calendário brasileiro é uma bagunça. Por conta dele, Ramón Díaz foi demitido no dia seguinte a uma derrota pelo Campeonato Brasileiro e a dois dias de um importante compromisso pelo torneio nacional contra o Sport, na Neo Química Arena. Já na próxima semana, o Corinthians volta a campo pela Conmebol Sul-Americana diante do Racing.
O curto espaço de tempo não permitirá que os jogadores tenham um novo comandante na área técnica já para o próximo jogo da principal competição brasileira. Mas é preciso se movimentar para que, no torneio continental, haja um novo treinador. Uma decisão tardia, como aconteceu no ano passado, pode colocar a temporada corinthiana em risco.
Não há espaço para erros neste momento. A diretoria tem que ser assertiva, precisa e rápida para não correr o risco de expor seu torcedor a mais um ano desesperador, como foi em 2024 e também em 2023. Caso os erros das temporadas anteriores voltem a se repetir, o Corinthians não deve escapar de reviver todas as aflições que perseguiram o clube.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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