Daquelas coisas que só importam na Zona Leste
Opinião de Beatriz Maineti
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Com contrato mais polêmico, Neymar não recebe a mesma repercussão de Memphis Depay
Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão
Na última semana, o contrato de Neymar Jr. com o Santos, firmado no início de 2025, foi destrinchado pela imprensa brasileira. O vínculo, que tem validade apenas até 30 de junho deste ano, prevê o pagamento de vencimentos altíssimos para o jogador brasileiro. Os valores acima do padrão são justificados pelo tamanho do jogador, que tem passagens por Barcelona, Paris Saint-Germain e Al-Hilal, da Arábia Saudita, além do próprio Santos, mas não deixam de chocar.
Essa abertura das cláusulas contratuais de jogadores do futebol brasileiro aconteceu recentemente também com Memphis Depay, do Corinthians. Quando isso aconteceu com o atleta que defende as cores do Timão, a comoção foi enorme, mesmo que as pendências financeiras do clube com o holandês não cheguem nem perto do que foi acordado entre Santos e Neymar. A contratação corinthiana conta com bonificações por metas esportivas alcançadas, como gols, assistências, títulos e classificações, tal qual a maior parte dos vínculos com atletas. Nada de muito anormal.
De acordo com o Uol, ao todo, Neymar deve receber R$ 4,14 milhões como salário mensal, além de embolsar mais R$ 85 milhões até o fim do contrato em ações de marketing e exploração de sua imagem. Os contratos de patrocínio do Santos também não passam ilesos, a empresa gerida por Neymar Pai deverá ficar com 75% dos acordos com empresas fechados após sua chegada e, no caso de negócios anteriores do Santos, a mesma porcentagem do aumento gerado pela contratação do jogador também deve ser direcionada ao pai do camisa 10.
Todos esses valores somados chegam a R$ 105 milhões a serem pagos a Neymar Jr. até o fim do seu contrato. Há ainda o adendo de que o montante acordado pelas ações de marketing deve, obrigatoriamente, ser quitado até 30 de junho, quando, originalmente, a segunda passagem do atleta pelo Santos se encerra. A situação fica ainda mais gritante se pensada em um plano maior: desde a chegada do jogador, o clube da Baixada viu suas receitas de patrocínio aumentarem em R$ 66 milhões, mas teve que destinar R$ 49,5 milhões às contas da empresa de Neymar Pai.
Pelo tamanho do jogador, era de se esperar que o investimento, por conta de suas atuações, se pagasse em campo. Entretanto, o atacante ainda não conseguiu se firmar na equipe santista por conta de uma sequência de problemas físicos e soma poucos minutos em campo com a camisa do Santos. Estes problemas acompanharam o jogador ao longo de toda a sua passagem pelo Al-Hilal, onde também somava um salário astronômico.
A situação financeira e futebolística do Santos não é boa. Atualmente, o time, que enfrenta o Corinthians na Neo Química Arena no próximo domingo, figura na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e disputa apenas torneios nacionais, contando com a Copa do Brasil. Em meio a problemas políticos, riscos de transferban pela Fifa e um ambiente conturbado nas quatro linhas, era esperado que Neymar fosse a solução dos problemas do clube, tanto dentro quanto fora de campo, mas isso não aconteceu.
Na zona leste, o que acontece é o contrário. Dentro de campo, Memphis tem feito valer o investimento. Além de protagonizar, ao lado de Yuri Alberto, a dupla com mais participações em gol do futebol brasileiro desde sua estreia, em setembro de 2024, o holandês também figura na ilustre lista de jogadores com mais participações em gol em 2025. Ele é também o líder de grandes chances de gol criadas, o segundo com mais assistências em todo o país. Além disso, vive sua primeira lesão no Corinthians em maio de 2025, sete meses após seu anúncio oficial. Isso, claro, pensando apenas no retorno esportivo.
O problema, porém, é que a revelação do contrato de Memphis causou um impacto muito maior do que a de Neymar. Cada nova conquista do camisa 10 corinthiano é destrinchada na imprensa, demonstrando qual será a bonificação financeira e colocando em xeque a validade do vínculo do atleta com o clube alvinegro paulista.
Brasileiro e com menos destaque do que deveria ter assumido no futebol nacional, Neymar não parece ter levantado tanta incredulidade quanto Memphis, que se tornou um dos protagonistas do time do Corinthians. O holandês, que já teve a oportunidade de exaltar o grito de campeão com o clube paulista no Campeonato Brasileiro, parece ter mais potencial para seguir se destacando, mas segue mais contestado pelos seus vencimentos.
Vários fatores podem explicar essa diferença no tratamento dos casos. A superproteção implementada pela mídia esportiva a Neymar é um deles, talvez o mais pesado de todos. Mas não é possível ignorar a distinção nas reações.
Em campo, Memphis Depay tem entregado mais do que o brasileiro do Santos, mas o investimento feito pelo clube praiano pelo jogador não é posto em pauta a cada nova ausência. No caso do corinthiano, cada nova participação em gol é motivo para reviver as cláusulas de seu contrato.
A disparidade é curiosa e deve ser questionada. Afinal, o desempenho de ambos não é comparável, assim como a repercussão dos contratos. Ao final do dia, a diferença entre o desempenho de ambos é palpável, mas a balança pende apenas para um dos lados, mesmo que os números sejam capazes de contradizer esta noção.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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