O Corinthians não aprendeu a jogar o Campeonato Brasileiro
Opinião de Beatriz Maineti
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A derrota para o Juventude precisa levantar questionamentos para os jogadores
Foto: Wanderson Oliveira / Meu Timão
Depois de mais uma vitória no Campeonato Brasileiro, o torcedor corinthiano começa a sentir um frio na espinha bem conhecido. Com 22 pontos, o Corinthians é o 13º colocado do torneio nacional com 22 pontos - seis atrás do Mirassol, primeiro clube no G6, e seis à frente do Vasco, que abre o Z4. Embora ainda esteja distante da degola, é impossível não reviver mentalmente a agonia de 2023 e também de 2024.
Há quem diga que a tabela do Brasileirão é ilusória, e realmente é. Boa parte dos times da Série A chega ao fim do primeiro turno, na 19ª rodada, com jogos a menos, embora o Corinthians tenha a primeira etapa da competição completa. O problema, porém, passa longe de ser a quantidade de partidas, já que é sumariamente impossível que todas as equipes com eventos atrasados consigam somar três pontos ao mesmo tempo.
A principal questão do Corinthians é a incapacidade do clube, especialmente do elenco corinthiano, de aprender com os erros cometidos anteriormente. Dorival Jr., copeiro como sempre foi, tem a tendência de priorizar a Copa do Brasil, na qual o clube conseguiu eliminar seu principal rival e chegou a quatro jogos disputados com o treinador no torneio sem sofrer um gol sequer, mas um alerta interno precisa ser ligado.
Ao perder para o Juventude, o Corinthians deixou de somar pontos contra o 19º colocado do Campeonato Brasileiro, dono da pior defesa e também do pior ataque da competição. O gol marcado por Matheuzinho, já no final da partida, livrou o time alvinegro de entrar para uma seleta lista de equipes que não balançaram as redes do time atualmente comandado por Thiago Carpini. Até aqui, apenas Sport e Vitória conseguiram essa proeza.
O caminho mais simples aqui é culpar única e exclusivamente o técnico Dorival Jr., que segura, sim, uma parcela considerável da culpa. O treinador, porém, implementou em campo a mesma equipe que, quatro dias antes, havia vencido o Palmeiras com propriedade em pleno Allianz Parque. A estratégia também era a mesma: controlar a posse de bola, atacar os espaços e aproveitar os lados do campo com Matheuzinho e Matheus Bidu para municiar os atacantes - na ocasião, Yuri Alberto e Talles Magno.
No Alfredo Jaconi, porém, o problema pareceu passar longe do tático. Contra o Palmeiras, a estratégia funcionou por uma determinação antológica dos jogadores do Corinthians em busca de um objetivo em comum: a classificação. A vitória passou muito pelos jogadores de meio de campo, especialmente Raniele e José Martínez, que conseguiram controlar o setor com muita qualidade. Além disso, Matheus Bidu tinha jogado como nunca e participou ativamente de um jogo ofensivo fatal, enquanto, defensivamente, a dupla de zaga, André Ramalho e Gustavo Henrique, fizeram um jogo tático que beirava a perfeição.
Com exceção de Memphis Depay e André Carrillo, o time de Dorival Jr. era rigorosamente o mesmo do Allianz Parque. A postura, porém, foi tudo, menos igual. O Corinthians entrou no Alfredo Jaconi sem a vontade de ganhar que o time havia apresentado tão pouco tempo antes, e isso foi determinante para o resultado final.
O futebol não perdoa a postura displicente de uma equipe, independentemente de quais sejam os seus objetivos. Sou de uma escola futebolística que defende que todos os jogos devem ser disputados com máximo respeito, e a melhor forma de respeitar um adversário é sempre atuar com o mais alto nível de seriedade. Ontem, o time não respeitou nenhuma das partes envolvidas, desde o seu torcedor até o adversário.
No Campeonato Brasileiro, esta falta de respeito custa caro. O Corinthians deixou o principal torneio nacional de lado para focar nas copas, mas se vê incapaz de sair do mesmo setor da tabela. Não dá para negociar pontos no Brasileirão com as equipes que brigam na parte de baixo da tabela, mas o time do Parque São Jorge tem brincado com a sorte.
Isso independe do treinador. O elenco já apresentava o mesmo comportamento quando tinha Ramón Díaz como seu comandante técnico e agora, com Dorival Jr., a postura não muda. A atuação do treinador tem que ser contestada especialmente no que diz respeito à motivação da equipe e também às substituições, mas existem coisas que são referentes a forma como os jogadores encaram as partidas.
Todo mundo, em todas as circunstâncias, quer jogar um Dérbi paulista. É uma partida reconhecida nacionalmente como uma das mais difíceis, que traz audiência de corinthianos, palmeirenses e até de torcedores de outras equipes. É uma partida mágica! Porém, o Campeonato Brasileiro não é feito apenas de clássicos desta magnitude, e o elenco do Corinthians não parece ter aprendido com os erros cometidos em 2024 e 2023. O Brasileirão já levanta sinais de alerta e os jogadores - além, claro, da comissão técnica - precisam saber ler estes avisos.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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