O 0,004% do Corinthians virou dois títulos e agora aponta para o desafio final
Opinião de Felipe Sales
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Elenco do Corinthians comemorando a Supercopa
Foto: Wanderson Oliveira / Meu Timão
Em novembro de 2024, mergulhado em um caos administrativo que inevitavelmente respingava no campo, o Corinthians vivia um dos momentos mais delicados de sua história. Eliminado pelo Racing na semifinal da Sul-Americana e afundado na 18ª colocação do Campeonato Brasileiro, o clube do Parque São Jorge tinha apenas 0,004% de chance de se classificar para a Copa do Brasil de 2025.
Era um número quase simbólico. Um detalhe estatístico que parecia decretar o fim de qualquer esperança. Mas o Corinthians nunca foi um clube feito para respeitar probabilidades.
Contra todos os prognósticos, a equipe alvinegra emplacou uma arrancada histórica no Brasileirão. Foram nove vitórias na reta final, uma fuga improvável do rebaixamento e uma escalada até a sétima posição, garantindo vaga na pré-Libertadores e, por consequência, na Copa do Brasil.
Na competição, o time mudou de postura. Sob o comando de Dorival Júnior, deixou para trás o desempenho irregular do campeonato nacional e passou a competir o mata-mata com inteligência, controle e maturidade. Cada confronto foi tratado como uma decisão.
O resultado foi um caminho pesado e simbólico até o título. Novorizontino, Palmeiras, Athletico-PR e Cruzeiro ficaram pelo caminho, até a final diante do Vasco, no Maracanã. Um cenário que carregava memória, peso histórico e coincidências poéticas: 25 anos depois do Mundial de 2000, contra o mesmo adversário, no mesmo estádio e com o mesmo uniforme, o Corinthians voltou a levantar uma taça.
E o roteiro ainda reservava mais um grande capítulo. O título garantiu vaga na Supercopa do Brasil, diante do atual campeão brasileiro e da Libertadores.
No Mané Garrincha, Corinthians e Flamengo colocaram frente a frente as duas maiores torcidas do Brasil. De um lado, o elenco mais valioso da América, recém-reforçado com Lucas Paquetá por cifras astronômicas. Do outro, um clube que acabara de superar um transfer ban, sem dinheiro em caixa, apostando em empréstimos, oportunidades de mercado e, mais uma vez, na base.
Dentro de campo, a lógica financeira não se confirmou. Quem abriu o placar foi justamente um jogador que chegou sem custo de direitos econômicos: Gabriel Paulista. No meio, os Filhos do Terrão André Luiz e Breno Bidon engoliram nomes badalados, dominaram o setor e impuseram o ritmo do jogo. E, no último lance, outro exemplo desse Corinthians improvável fez com que Kaio César, contratado por empréstimo, servisse Yuri Alberto de calcanhar. O centroavante deu um chapéu, matou o jogo e selou o título.
Assim, o improvável virou realidade. O 0,004% virou taças. Agora, o próximo capítulo será a Libertadores. E, depois de tudo isso, quem ainda se atreve a duvidar desse time?
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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