O Corinthians não pode agir de boa fé e liberar Fagner de graça ao Cruzeiro
Opinião de Felipe Sales
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Fagner durante treinamento
Foto: Rodrigo Coca / Ag.Corinthians
Conforme publicado pelo Meu Timão mais cedo, o Cruzeiro alinhou um acordo verbal com Fagner para a sua permanência em Minas Gerais após um ano de empréstimo. Um desfecho previsível para uma história que, vista do Parque São Jorge, demonstra outro grande erro do Corinthians.
Aos 37 anos, Fagner ainda tem contrato com o Timão até dezembro de 2026, fruto de uma renovação feita ainda na gestão de Augusto Melo. À época, a decisão já era tratada com desconfiança. O que foi confirmado meses depois, quando o lateral perdeu espaço para Matheuzinho e, na sequência, acabou liberado, já que Ramón Díaz não contava mais com ele.
O roteiro ficou ainda mais indigesto ao longo de 2025. Durante toda a temporada, o Corinthians bancou metade do salário de um dos vencimentos mais altos do elenco para vê-lo atuar por um rival direto. A outra metade ficava por conta do Cruzeiro. Enquanto isso, Matheuzinho não tinha um reserva confiável: Léo Mana não se firmou e acabou emprestado ao Criciúma. Coube a Dorival Júnior improvisar ora o volante Charles, ora o zagueiro Félix Torres, deslocados para a lateral direita.
Agora, passado um ano, o Cruzeiro quer manter Fagner, ainda mais com a chegada de Tite. O detalhe é que os mineiros não pretendem pagar nenhuma contrapartida. Apostam na “boa fé” e esperam que o Corinthians simplesmente libere o jogador de graça.
É verdade que, em meio a uma crise financeira, com dívida total superior a R$ 2,7 bilhões, a saída de Fagner representaria alívio na folha salarial, dentro de uma projeção de redução de cerca de 19%.
Mas o contexto torna tudo mais bizarro. Com o transferban ativo e ainda indefinido, abrir mão de um ativo sem qualquer compensação não faz muito sentido. Ainda mais quando o próprio Cruzeiro é uma Sociedade Anônima de Futebol (SAF), gerida por um bilionário, e esteve entre os clubes que apoiaram a saída do Corinthians do Movimento de Clubes Formadores do Futebol Brasil (MCFFB), e boicotou a realização da Copa Votorantim, considerada a Copinha Sub-15.
Paralelamente, levou Henrique Lemos, filho de Fagner, para sua base. O jovem de 14 anos era um dos destaques das categorias de base do Timão, mas o clube não conseguiu mantê-lo, já que, nessa idade, a decisão é familiar e não há vínculo profissional nem participação futura em eventual venda. Também houve a liberação de Cássio, ídolo do Corinthians, que dias depois se juntou ao clube mineiro em meados de 2025.
No fim das contas, liberar de graça um jogador como o Fagner não faz sentido algum dentro da lógica do Corinthians. O alívio salarial é pequeno demais para quem, no mercado, raramente recebe favores. Ao contrário, costuma pagar taxas, assumir salários integrais e arcar com custos que outros clubes fazem questão de repassar.
Há ainda um elemento que pesa nos bastidores, que é a dívida milionária do Corinthians com o empresário Carlos Leite, que agencia Fagner e outros atletas que já passaram pelo elenco. Uma eventual liberação que abatesse valores desse passivo poderia ser uma solução mais inteligente para um clube em crise.
Agora é aguardar as cenas dos próximos capítulos…
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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