O torcedor do Corinthians não pode esquecer os títulos recentes
Opinião de Felipe Sales
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Matheus Bidu passa a bola em partida do Corinthians contra o Coritiba
Foto: Wanderson Oliveira / Meu Timão
A atuação do Corinthians na derrota por 2 a 0 para o Coritiba, na última quarta-feira, pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro, já havia sido ruim o suficiente para irritar a torcida que colocou mais de 30 mil pessoas na Neo Química Arena outra vez. Mas a entrevista do lateral-esquerdo Matheus Bidu na zona mista conseguiu piorar ainda mais o cenário.
O camisa 21 afirmou que a Fiel tem o direito de criticar, mas que não poderia esquecer os títulos conquistados pelo clube recentemente. A declaração, no mínimo, soa desrespeitosa com um torcedor que paga ingresso, empurra o time e, em troca, espera ao menos competitividade dentro de campo. Ainda mais depois de um intervalo de 11 dias sem jogos.
“O futebol é assim. A torcida tem direito de criticar, eles pagam o ingresso, mas também não pode esquecer tudo o que a gente fez durante esses oito meses. A gente entregou dois títulos, a equipe vinha bem consistente”, afirmou Bidu.
O problema é que o discurso não se sustenta quando se olha para o que o Corinthians tem apresentado. Em boa parte da última temporada já existia a sensação de que o elenco escolhia jogos para se mobilizar. Partidas em que o time parecia disposto a competir e outras em que faltava intensidade, organização e, principalmente, vontade.
Em 2025, a justificativa era um elenco curto, com poucas opções e o receio constante de suspensões e lesões que poderiam comprometer momentos decisivos da temporada. Em 2026, ao menos esse argumento não existe mais.
O grupo foi reforçado, há ao menos duas opções por posição — sem entrar no mérito da qualidade — e o clube mantém salários, direitos de imagem e premiações em dia. Ou seja, o cenário é bem diferente daquele usado como explicação no passado recente.
Ainda assim, o Corinthians caiu na semifinal do Paulistão de 2026 para o Novorizontino, que faz um trabalho sério com Enderson Moreira, mas possui uma folha salarial que, no mínimo, é dez vezes menor que a do clube do Parque São Jorge. De fato, conquistamos a Supercopa do Brasil ao vencer o Flamengo por 2 a 0. Porém, mais uma vez, o grande protagonista foi a Fiel, que tomou conta do Mané Garrincha, repetindo o que faz há mais de 115 anos de história do clube.
Isso é suficiente para o elenco? Estão satisfeitos com eliminações precoces e com a perspectiva de mais um Brasileirão disputado sem grandes ambições, brigando apenas pelo meio da tabela? A estratégia seguirá sendo apostar que, em algum momento, o raio pode cair no mesmo lugar e o time consiga conquistar uma das Copas?
Entre a eliminação no Estadual e a derrota para o Coritiba foram 11 dias de intervalo. Tempo suficiente para Dorival Júnior treinar, ajustar a equipe e buscar alguma evolução. No entanto, nada mudou. Jogando em casa, o Corinthians conseguiu dar apenas um chute no alvo em mais de 100 minutos. Entregar uma atuação como a de quarta-feira e, na sequência, ouvir uma declaração como a de Matheus Bidu apenas aumenta a frustração do torcedor.
A Fiel não precisa esquecer os títulos recentes. Eles fazem parte da história do clube e sempre serão lembrados. Mas quem veste a camisa do Corinthians também precisa entender que o passado é memória. O que o torcedor cobra no presente é entrega, competitividade, padrão tático e vontade em campo na maioria dos jogos.
E isso, até agora, está longe de aparecer desde o título da Supercopa do Brasil.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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