Surge um novo movimento: a Oligarquia Corinthiana.
Opinião de Jorge Freitas
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Onde está o espaço da Fiel?
Foto: Agência Corinthians
O Corinthians foi símbolo de liberdade e democracia não somente no Brasil, mas também no mundo. Não faltam documentários que contam a história daquele time sensacional, com Sócrates e Casagrande, que carregava a bandeira política em meio a um dos períodos mais nebulosos da história recente do nosso país.
Recentemente, um ex-zagueiro de um rival chegou a questionar o movimento político da época, mas, além de seu inegável direito de opinião, nada do que disse apresenta sentido algum sobre o que realmente foi o movimento marcante da época.
Indissociavelmente, o Corinthians se fortaleceu cada vez mais como o clube do povo, ou melhor, surgiu um povo que detinha um time, que já o havia carregado por mais de vinte anos sem títulos e que sempre produziu espetáculos a parte no futebol brasileiro, como a marcante invasão do Maracanã em 76.
No entanto, com o tempo e mais recentemente, Corinthians e Fiel começaram a se distanciar, muito além de uma relação de fidelidade, muito além de um resquício de democracia, tornando-se, na verdade, uma relação estritamente consumidora, como um produto que se expõe na TV para vender mais e receber mais dinheiro em troca.
De uma maneira bem simples, qual a diferença entre comprar uma camiseta do Corinthians ou fazer uma compra para a dispensa de casa? Qual a diferença entre ver os jogos do clube ou assistir à novela das nove? Em ambas as situações, há um produto que se tornou comercializável, transferível a milhões de pessoas por um aparelho tecnológico, seja ele a TV, o computador ou o smartphone.
Mas qual a razão de tudo isso? Hoje, ao navegar pela internet, descobri que a Ponte Preta tem feito uma enquete pelas redes sociais para que a torcida escolha a camiseta comemorativa dos 120 anos do clube. Embora o time de Campinas tenha um potencial infinitamente menor que o Corinthians, tanto dentro quanto fora de campo, dar à torcida a opção de escolha do uniforme do clube é um sinal claro de democracia, mesmo que em proporções ainda insatisfatórias.
Já no Corinthians, o tal clube da "verdadeira Democracia", temos uma única opção: o silêncio, acompanhado de uma boa dose de revolta. Não nos apresentam uma mínima opção de escolha, seja sobre contratações, camisetas, campanhas de marketing e, muito menos, para escolha de presidente.
Sim, dona de um clube que carrega a bandeira democrática, a Fiel se vê agora como mera consumidora do que meia-dúzia de pessoas fazem em seu comando. Aos "chefes", é transmitir para vender para transmitir para vender mais. À torcida, é assistir para comprar para assistir para comprar mais ainda.
Uma lógica de mercado terrível de um clube que, após Alberto Dualib e Sanchez&Companhia, pode ter de tudo, menos democracia e que reserva ao torcedor o único espaço que interessa: o de consumidor.
Com isso, estamos vendo nosso time sucumbir, de mãos atadas, sem a menor chance de opinar, sem saber ao certo quem será o próximo presidente, sem saber as contas do clube, sem entender a razão deste tamanho de dívida, sem poder ajudar num momento como esse.
Após a história da Democracia, chegamos ao momento da "Oligarquia Corinthiana", o governo de poucos. Engana-se quem pensa que é de poucos para muitos. É de poucos para poucos mesmo. Um novo período histórico no Corinthians.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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