Naming rights da Arena Corinthians: a luz que vem de Barcelona
Opinião de Jorge Freitas
61 mil visualizações 91 comentários Comunicar erro

Valorização da marca: naming rights deveria ser usado para uma causa filantrópica
Foto: Agência Corinthians
O Barcelona anunciou, há dois meses, que o Camp Nou, emblemático estádio da Catalunha, receberia pela primeira vez naming rights em prol da luta contra o coronavírus. A ideia é simples e genial: o clube "emprestou" o nome de seu próprio estádio para receber verba que será destinada integralmente à batalha contra a pandemia que assola todo o mundo. Ou seja, receberá um alto valor de uma empresa, que colocará seu nome no estádio, e destinará todo o montante arrecadado a incentivos contra a guerra que se trava atualmente.
Usar um grande espaço do clube a fins de doações não é algo inédito por lá. Em 2006, o Barça estampou, pela primeira vez, um "patrocinador" em sua camisa. A Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) registrou seu logotipo em uma das camisas mais emblemáticas do mundo por seis anos e recebeu fundos para valorizar a sua própria luta.
O retorno? O clube, além de ajudar uma causa filantrópica, acostumou seus torcedores e a mídia em geral com a possibilidade de estampar uma marca em sua camisa. O resultado? Em 2012, o clube fechou com o maior patrocínio do mundo, algo que girava, à época, em 171 milhões de euros por um total de cinco temporadas e que se estende até hoje.
Embora com muita polêmica, o Barcelona soube usar de uma causa filantrópica para enriquecer a imagem do clube, acostumar a torcida com novas possibilidades, valorizar a marca e enriquecer seus cofres.
Ao mesmo tempo, ajudou a uma instituição e a si mesmo.
O fato se repete agora com o Camp Nou. Não é de se desconfiar que, posteriormente, o clube também venderá seus naming rights, à contramão de sua tradição, mas a favor do futebol cada vez mais globalizado e mercadológico.
Já pelos lados do Brasil, o Corinthians segue quase que inativo em marketing. Após um período de louvor com Ronaldo no final da última década, o clube se perdeu a ponto de se limitar a movimentos pontuais e, por vezes, contraditórios, em seu perfil oficial do Facebook. Enquanto isso, com os cofres vazios e dívidas assustadoras, a Arena segue sem naming rights, talvez pela preocupação das empresas em associar a sua marca a um estádio que possa estar envolvido em escândalos de corrupção e desvio de dinheiro público.
Desse modo, a fim de quebrar este "tabu" e, ao mesmo tempo, ajudar na luta contra a pandemia no Brasil, seria extremamente interessante que o Corinthians buscasse uma parceria anual para, enfim, colocar um nome em seu estádio.
Em outras palavras, seria a deixa fundamental para que patrocinadores entendessem o enorme alcance que há para quem investe no clube. Além disso, seria também a chance ideal para valorizar a imagem mundialmente, pois, se estamos falando do Barcelona num site especializado sobre o Corinthians, é possível que se fale da atitude do Timão em todas as mídias sociais esportivas do Brasil e do mundo.
Com jogos sem torcida, mas televisionados, a marca se valorizaria e deixaria de lado essa história de que o nome Arena Corinthians já pegou e não pode ser mais mudado.
Uma luz que vem lá de Barcelona para ajudar os cofres e a marca combalida do clube.
Mas será que esses atuais "gestores" querem mesmo o bem do Timão?
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
Avalie esta coluna
Veja mais posts do Jorge Freitas
-
O Campeonato Paulista é o maior atraso na vida do Corinthians atualmente
-
Corinthians não progredirá enquanto subestimar importância do treinador
-
Corinthians conseguiu traumatizar uma eliminação que seria normal contra o Flamengo
-
Prejuízo menor: Corinthians precisa buscar a remarcação dos jogos adiantados pelo Brasileirão
-
Hugo Souza: o goleiro que já se pagou
-
Corinthians vive recorte ruim na Neo Química Arena; veja números recentes
