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Por que a hegemonia do Corinthians Feminino incomoda tanto?
Maria Beatriz de Teves

Jornalista formada pelo Mackenzie. Apaixonada por esportes, futebol feminino e assuntos que promovem o debate em geral. No Meu Timão desde maio de 2022.

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Por que a hegemonia do Corinthians Feminino incomoda tanto?

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Por que a hegemonia do Corinthians Feminino incomoda tanto?

Por que a hegemonia do Corinthians Feminino incomoda tanto?

Foto: Ronaldo Barreto/Meu Timão

No último domingo, o Corinthians conquistou seu sétimo título brasileiro no futebol feminino. Um hepta histórico, que reforça a maior hegemonia da modalidade no Brasil. Mas, ao invés de reconhecimento, aplausos e reverência, o que se viu foi mais uma leva de críticas, indiretas e desrespeito. A pergunta que fica é: por que a hegemonia do Corinthians incomoda tanto?

Eu poderia listar aqui apenas os títulos. E seriam muitos, viu? Sete Brasileiros, quatro Paulistas, cinco Libertadores, três Supercopas, uma Copa do Brasil e uma Copa Paulista. Um calendário de finais que dura o ano todo. Eu poderia falar da torcida, que comparece, canta, abraça. Que bate recordes ano após ano e construiu, junto com o time, uma identidade que vai além da arquibancada.

Mas o que o Corinthians representa para o futebol feminino vai muito além de tudo isso. O clube foi pioneiro em diversas frentes: profissionalizou a equipe ainda em 2020, antes de ser exigência da Conmebol ou da CBF; investiu em comunicação exclusiva nas redes sociais; buscou patrocinadores quando nem se falava em “modelo de negócio” para a modalidade.

Outro ponto que merece ser mencionado é o que aconteceu na última edição da Libertadores Feminina, em que o Corinthians precisou lutar sozinho por melhores condições. Logo após a conquista do título diante do Santa Fe, as jogadoras publicaram um vídeo conjunto denunciando o descaso da Conmebol com o futebol feminino. Disputada no Paraguai, a competição enfrentou problemas de organização desde o início. Além de ser realizada em um período muito curto, prejudicial à preparação e à recuperação das atletas, a edição de 2024 ainda contou com gramados em condições precárias e diversas falhas de infraestrutura.

“Ganhamos, mas nem tudo é festa… Mudança de sede de última hora. Falta de divulgação. Campos ruins. Risco de lesões. Apenas 20 atletas inscritas. Jogos de três em três dias. Estádios vazios. Proibido aquecer no campo de jogo. Estruturas precárias. Isso é uma falta de respeito. Inadmissível”, disseram as Brabas na publicação.

Além disso, jogou (e venceu) na Neo Química Arena. Nunca perdeu por lá. Dominou públicos, rankings, convocações. É o clube com os cinco maiores públicos da história do futebol feminino brasileiro. Mas, em vez de inspiração, virou alvo. Em vez de ser modelo, virou motivo de deboche. E isso não vem de agora.

Após o título de domingo, vimos atletas desabafando, claramente cansadas de serem diminuídas. A lateral Tamires, que foge de polêmicas, se tornou alvo de ataques simplesmente por dizer, com razão, que o Corinthians não cantou vitória antes da hora. A resposta? Um ataque baixo da diretora do Cruzeiro, Bárbara Fonseca, acusando a atleta de “mitomania” e sugerindo tratamento profissional. Um desrespeito não só com uma jogadora histórica do Brasil, mas com o próprio futebol feminino.

É esse o nível do debate? Ao invés de discutirmos como o Cruzeiro pode se aproximar do Corinthians, atacamos quem está no topo? O Corinthians abriu portas - e isso é inegável. Forçou outros clubes a investir, a profissionalizarem seus times, a disputarem o protagonismo. Clubes que hoje se estruturam no feminino o fazem em parte por causa do que o Corinthians provocou no cenário. E mesmo assim, o respeito não vem.

É claro que nem tudo é perfeito e ainda há muito a avançar. A Fazendinha, que deveria ser a casa das Brabas, segue sem condições de receber jogos à noite por conta da iluminação - uma obra que, segundo o clube, será concluída ainda neste semestre. A Neo Química Arena continua sendo usada apenas em momentos pontuais, enquanto a equipe feminina ainda não é autossustentável. O CT Joaquim Grava poderia receber a equipe com mais frequência, e a camisa do time poderia ter ainda mais valor comercial. São diversos pontos que merecem atenção e cobrança.

Mas a verdade é que a hegemonia do Corinthians incomoda porque escancara a ausência de projetos sérios nos outros clubes. Porque mostra que é possível, sim, fazer futebol feminino com excelência, com história, com identidade e com torcida. A hegemonia do Corinthians não deveria causar incômodo. Deveria causar admiração. Deveria ser vangloriada, usada como exemplo, como parâmetro.

Veja mais em: Corinthians Feminino e Títulos do Corinthians Feminino.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Coluna do Maria Beatriz de Teves Schreiber

Por Maria Beatriz de Teves Schreiber

Jornalista formada pelo Mackenzie. Apaixonada por esportes, futebol feminino e assuntos que promovem o debate em geral. No Meu Timão desde maio de 2022.

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