Dieguinho é mais um caso que começa errado no profissional do Corinthians
Opinião de Matheus Fiuza
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Dieguinho foi titular pela primeira vez no profissional do Corinthians contra o Fortaleza
Foto: Wanderson Oliveira / Meu Timão
O jovem Dieguinho, de apenas 17 anos, chamou a atenção da Fiel no empate do Corinthians com o Fortaleza, por 1 a 1, no último domingo. No entanto, além do natural frio na barriga pelo primeiro jogo como profissional, o garoto poderia ter começado sua trajetória de uma forma melhor. Mas não por culpa dele.
O técnico Dorival Júnior escalou Dieguinho aberto pela direita, em um 4-3-3 que tinha Ryan, Charles e Breno Bidon no tripé de meio-campo, além de Romero mais centralizado e Talles Magno partindo da esquerda para dentro no ataque. O jovem passou boa parte da partida preso à faixa lateral e conseguiu boas jogadas individuais sobre o defensor Diogo Barbosa, mas quase sempre longe do gol.
É verdade que Dieguinho tem atuado, no Sub-20, como esse atacante aberto pelo lado direito, com a tendência de procurar o centro do campo por ser canhoto. Entretanto, o brilho do atleta aparece na faixa central, onde está mais próximo do centroavante (muitas vezes Gui Negão na categoria), apesar dos espaços mais reduzidos. Para mim, um erro sob o comando do então técnico da categoria, Orlando Ribeiro.
Jogadores talentosos, como no caso de Dieguinho, precisam estar nas zonas perigosas de ataque. Infelizmente, há uma tendência em colocar jogadores com boa condução para as laterais e torná-los pontas, embora as características do jogador digam outra coisa. O jogo contra o Fortaleza pedia por um Dieguinho mais presente no centro, fato que se concretizou em partes do segundo tempo, mas já em um cenário com Rodrigo Garro tomando as rédeas do setor.
Além do desperdício de talento, ele não teve muita ajuda pelo lado direito. Félix Torres, mais uma vez como lateral, sequer ofereceu opções de ultrapassagem. Já Charles não tem as melhores condições para tabelar, muito menos Romero, tido como um jogador letal na área, mas que voltou a perder uma chance clara. O contexto sempre vai influenciar os mais jovens, mas fica o elogio ao Dieguinho por fazer um bom jogo em meio à falta de talento ao redor.
O Corinthians tem outros nomes para ficar de olho e que podem contribuir com o elenco profissional. Gui Negão (18 anos) pode não ter um dos tetos mais altos, mas tem características que podem ajudar, além de ser uma opção mais barata. Kauê Furquim, de 16 anos, ainda aguarda sua primeira chance e já mostrou que não teme nenhum adversário. Luiz Gustavo Bahia, por sua vez, teve uma estreia apagada contra o Botafogo, mas sua partida também se conecta ao citado anteriormente: contexto. Não se pode repetir o erro.
A base é um dos maiores frutos e fonte de orgulho para o torcedor corinthiano. Apesar dos diversos problemas e más gestões dos últimos anos, o talento está lá e precisa ser aproveitado. Mas é preciso saber utilizá-lo antes que seja mais um desperdício no time profissional.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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