Marketing do Corinthianismo é de extremo mau gosto
Opinião de Roberto Gomes Zanin
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Amor incondicional ao clube não é religião
Foto: Rodrigo Coca - Agência Corinthians
A campanha de marketing do Corinthians, que liga nosso amor pelo clube à Religião beira a blasfêmia.
Claro, lógico, temos uma ligação de amor o time e devoção ao nosso escudo, mas isso não tem nada a ver com o culto que é devido apenas a Deus.
Temos uma religião, sim, o corinthianismo, mas ela se situa no plano terreno, apesar de às vezes torcermos (e até rezarmos, às vezes) para que o chute adversário não entre, ou de sentirmos coisas inexplicáveis em nosso amor pelo Timão. Mas isso não tem nada a ver com religião.
Somos todos Corinthians. Mas religião cada um tem a sua (ou não).
Numa época em que falta bom senso, tudo se mistura e corremos o risco de perder a hierarquização das coisas.
Orar, rezar a Deus é bem diferente do que se dirigir ao símbolo de um clube, mesmo sendo o maior de todos.
Como profissional da área de comunicação, sei que seria perfeitamente possível fazer uma campanha com o mesmo mote, mas que não misturasse as coisas.
A campanha “Fé Alvinegra’, com o lançamento da camisa com referência à espada de São Jorge, em 2017, foi de bom gosto. Falou sobre a fé do corinthiano, mas não foi sensacionalista.
Somos fieis, sim, mas porque não mudamos de time e não o abandonamos qualquer que seja o tamanho da fila. Não somos fieis porque colocamos o Corinthians no mesmo patamar de Deus.
O que querem os “gênios” que idealizaram a campanha? Que sejamos algo como a igreja Maradoniana, onde alguns idiotas cultuam Maradona?
O vídeo é tecnicamente muito bem feito (deve ter custado bem caro) e tem algumas boas ideias, como aquela que me remete ao fato de que muitos morreram durante a fila, durante os anos de sofrimento. Mas colocar Cristo crucificado numa trave é de extremo mau gosto.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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