Cássio deixa o Corinthians, mas não o coração dos corinthianos
Opinião de Rodrigo França
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A saída de um ídolo
Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão
Chegou o dia que muitos corinthianos achavam que não chegaria: a saída de Cássio do Timão. Não por aposentadoria ou motivo similar, ele mesmo quis sair. Direito dele, chateação nossa. O ídolo do Parque São Jorge sai para ser titular em qualquer outro clube que ele pisar, mas não era mais possível ser o titular do Corinthians. É tempo de Carlos Miguel.
Eu estava evitando falar sobre isso nas minhas redes, pois sempre que começava a escrever, começava também a chorar. Mas agora vai, nesta coluna, mesmo com lágrimas nos olhos. Eu chorei no estúdio do Meu Timão e choro toda vez que vejo a despedida do Gigante passando na timeline das minhas redes sociais. Não consigo parar de ver cada vídeo.
Falam em "nutellagem", termo jocoso para tratar algo que as pessoas não concordam ou consideram "moderno demais". E não tenho dúvida que esse texto será tratado dessa forma. Mas meu sentimento pelo ídolo que o Cássio se tornou durante esses 12 anos supera qualquer crítica.
Quando o Gigante chegou, em 2012, eu não o conhecia. Aliás, quem o conhecia? Era o reserva de Júlio César e Danilo Fernandes, respectivamente, mas trabalhou o suficiente para ocupar a vaga de titular do maior clube do país na primeira oportunidade - falha decisiva do Júlio no Paulistão. Desconfiei quando ocupou a vaga que, em tese, deveria ser do Danilo, mas me surpreendi com a boa partida contra o Emelec.
Seguiu titular e fez a principal defesa daquela Libertadores. Hoje é fácil constatar: O Corinthians não teria conquistado a América se o Cássio não tivesse pegado aquela bola. Era quartas de final contra o Vasco, aos 17 minutos do 2º tempo, depois de um 0x0 em São Januário. Ainda que o gol do Paulinho acontecesse na sequência, o 1x1 nos eliminava por conta do gol tomado fora de casa.
Mas a idolatria do Cássio não se resume a 2012, mesmo conquistando o Mundial no final do ano sendo o melhor jogador do torneio. O goleiro do Timão foi peça fundamental em diversos outros campeonatos. Foram 9 títulos em 712 jogos com o manto alvinegro, o segundo jogador que mais vestiu essa camisa.
Cássio, que ganhou a Libertadores com a camisa 24 no ano de 2012, nos deixa no ano de 2024 vestindo a camisa 12. Para além da poesia, deve significar alguma coisa na numerologia, assunto que não tenho competência para falar.
E o clichê que sempre vem à tona a cada despedida de jogador precisa ser dito: ninguém é maior que o clube. Isso é óbvio, ninguém discorda. Ninguém é maior que o Corinthians. E ninguém tem a prepotência de dizer o contrário. Mas essa nossa paixão só existe porque existiu quem fizesse essa paixão existir.
Ou seja, sem os ídolos talvez não existisse um clube tão altaneiro. E o Cássio faz parte dessa história. Ele ajudou a construir mais um pedaço dessa grandeza. Assim como Marcelinho, Sócrates, Rivelino, Neto, Neco, entre muitos outros que ajudaram a transformar o clube nessa potência com mais de 30 milhões de apaixonados.
E não estou aqui para ser um julgador de quem não tem apego aos ídolos, longe disso. Está tudo bem não sentir algum tipo de tristeza com a saída do nosso eterno goleiro. Eu apenas aceito a não-linearidade dos meus sentimentos e a não-racionalidade.
Eu amo o Corinthians com todo o meu coração. É a minha vida. Mas amo também aqueles que fizeram o Corinthians ser essa enormidade. E o Cássio ocupa uma grande parcela desse sentimento.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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