Mário Gobbi, os chinelos e o Time do Povo
Opinião de Rodrigo França
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Mário Gobbi ofendeu sócios do Corinthians durante reunião de conselheiros
Foto: Alan Morici / Corinthians
Eis que me deparo com uma ata do ex-presidente Mário Gobbi reportando, com palavras fortes, seu descontentamento com os novos sócios do clube social.
Ademais das ofensas para com o atual executivo do clube, ao que parece, uma redução no valor da mensalidade (que não é barata para a realidade do Brasil) fez, na visão de Gobbi, com que bandidos passassem a frequentar o clube. E mais um detalhe: usando chinelo Havaianas.
As barbaridades contidas nessa história são tão revoltantes e têm tantas camadas que dá para começar por vários aspectos. Podemos iniciar pelo mais “lúdico”: será que o ex-presidente acredita piamente que a mensalidade do clube social está barata? Ele realmente crê que que um par de Havaianas é uma pechincha? Se pensa assim, certamente não vive a realidade da imensa maioria da torcida alvinegra.
Será que Gobbi se lembra quem foram os fundadores do Corinthians naquela madrugada no Bom Retiro? Será que algum dos nossos operários seria desqualificado por usar chinelos? Aliás, a frase “o Corinthians é o time do povo e é o povo quem vai fazer o time” implica necessariamente em calçados adequados - se é que isso existe - para que o nosso povo frequente as dependências do Parque São Jorge? Será que dona Elisa, torcedora símbolo da nossa história, seria impedida de entrar no clube caso não estivesse com sapatos? Vicente Matheus, que na noite inesquecível de 13/10/1977 perdeu um dos seus calçados no gramado do Morumbi, após a quebra do tabu, também não conseguiria adentrar as dependências da Fazendinha se o substituísse por um velho e confortável chinelo?
Se dizer corinthiano e pensar dessa forma já seria um absurdo. Externar essas palavras, ostentando um título de conselheiro do clube e ainda relacionando diretamente o uso de chinelos à alcunha de bandidos é uma demonstração de puro preconceito e ignorância.
Nos tempos atuais, onde precisamos fortalecer as causas sociais e acolhimento, os mesmos que sempre pautaram a história do SCCP, é asqueroso descobrir que quem deveria zelar pelo time do povo se sente enojado pela simplicidade de um par de Havaianas e ainda se sente no direito de ofender novos associados, os mesmos que certamente ajudam a sustentar uma parte importante do clube.
Falta ao senhor ex-presidente exatamente calçar as sandálias da humildade e se retirar do quadro de associados em respeito à nossa gloriosa história, em respeito ao torcedor que paga caríssimo nos ingressos para lotar o nosso estádio em jogos consecutivos, que sai em caravanas para seguir o Corinthians, enfrentando calor, chuva, enchentes, trânsito e falta de estrutura, tudo para demonstrar seu amor incondicional pelo Timão, seja de sapato, tênis, chinelo ou descalço. O corinthianismo não é para todos e, certamente, não é para o Mário Gobbi, que deveria se envergonhar de tamanho absurdo.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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