Felipe Gomes
Faltam poucas horas para o clássico contra o São Paulo, muitos torcedores pensam no resultado que pode agravar ainda mais a crise no rival, escalação, quem será o responsável pelo gol da vitória e entre outros assuntos. Mas o que gostaria de dizer é que esse jogo pode ser esquecível ou inesquecível, não pelo resultado dentro de campo, e sim, fora dele.
Antes tenho uma pergunta: você conhece o Baltazar? O Cabecinha de Ouro?
Até quarta-feira também não o conhecia. No dia 14 de janeiro de 2026, completou 100 anos do nascimento desse grande jogador que vestiu e honrou o nosso manto, conhecido por fazer muitos gols de cabeça (em uma época que era raro).
Com isso faço mais algumas perguntas: quantas postagens sobre ele você viu na quarta? Viu o Corinthians publicar algo? Você viu o Corinthians alguma vez falar dele?
Se a sua resposta for nenhuma, entendo, estava também nessa posição.
Jogando com a casa lotada em um clássico, será que pelo menos uma imagem dele irá aparecer no telão com uma breve biografia (escrita ou narrada), não sei, mas muito provável que não...
Nem todos os ídolos da história do Corinthians vamos saber e conhecer, entretanto, cabe ao clube homenageá-los para que eles sejam inesquecíveis.
[Compartilho o post da página RIP Futebol que me fez ter conhecimento do Cabecinha de Ouro]
100 anos de Baltazar.
O Cabecinha de Ouro.
O homem esquecido.
Um dos maiores cabeceadores da história do futebol brasileiro. Não é força de expressão. É fato.
Baltazar, nome completo Oswaldo Silva, nasceu em 14 de janeiro de 1926 e nos deixou em 25 de março de 1997, aos 71 anos. Foi ídolo do Corinthians e da Seleção Brasileira, protagonista de uma era em que o gol de cabeça era arte do desafio.
Pelo Corinthians, foram 405 jogos e 269 gols, números que o colocam entre os maiores artilheiros da história do clube. Conquistou a Taça Rio-São Paulo em 1950 e 1953 e os Campeonatos Paulistas de 1951,1952 e 1954, sendo peça central de um dos períodos mais vitoriosos do Timão.
Pela Seleção Brasileira, disputou duas Copas do Mundo, em 1950 e 1954.
Hoje, pouca gente lembrou. Pouca gente falou.
E não, Baltazar não teve vida fácil. Longe disso. Não foi constantemente homenageado, não teve conforto, não teve amparo. Chegou a viver na indigência, lutou como pôde, caiu na sarjeta da invisibilidade. A única ajuda concreta que recebeu veio da Portuguesa de Desportos, clube pelo qual sequer atuou.
Morreu em 1997, triste, ignorado pelo mesmo clube que ajudou a ser gigante. Precisou morrer para ganhar um busto no Parque São Jorge.
E hoje? Nem isso basta.
Enquanto páginas oficiais publicam dezenas de conteúdos sobre viagens, datas comerciais e efemérides convenientes, Baltazar segue esquecido. Talvez muitos nem saibam quem foi. Talvez pensem que nunca existiu. Ou pior, que foi apenas mais um rosto antigo em uma foto amarelada.
Na página oficial do clube falaram hoje de Edílson no BBB, mas nada do centenário do eterno CABECINHA DE OURO.
Uma vez ouvi do Mestre Paizinho, do Moçambique Unidos a São Benedito de São Luiz do Paratinga:
"Um povo sem memória é um povo sem cultura”
Triste fim para Baltazar.
Triste fim para o futebol.
#RIPFutebol
em Bate-Papo da Torcida > Clássico esquecível ou inesquecível?











