Vulgo_ Etvaldo
A parada é bem mais complexa que isso. Conheço pelo menos uns 10 que tinham talento para o futebol, viviam jogando bola e sonhavam tanto em ser jogador que hoje possuem o olhar triste quanto ao destino que tiveram. A realidade é que, habilidade e o sonho com o futebol nunca faltou, o quê regrediu foi a questão interna e os meios pra ser incluído no futebol, como olheiros e etc. Antigamente jogadores aposentados faziam questão de buscar novos talentos, Waldemar de Brito com o Pelé, Jairzinho com o Ronaldo e diversos outros, muito por isso Brasil sempre foi celeiro de grandes craques. Hoje, os caras cassoam da nova geração pra não serem esquecidos.
em Bate-Papo da Torcida > Uma impressão minha, sem qualquer respaldo, sobre os futebolistas...
Em resposta ao tópico:
Antigamente, o sonho da maioria dos meninos era ser jogador futebol. Se ele seguia outra carreira, era porque a carreira de jogador deu errado, seja falta de talento ou outro motivo. Mas a prioridade inicial da maioria era brilhar no futebol.
Mas a impressão que o sonho prioritário dos meninos brasileiro mudou nos últimos anos. A impressão que eu tenho é que o sonho principal deixou de ser jogador de futebol para ser INFLUENCER. O sonho que permeia o imaginário brasileiro das crianças brasileiras não é a mais de jogar futebol, ser campeão pelo time de coração, ganhar uma copa... É ser famoso na internet, influenciar pessoas, ter um perfil bombado de Youtube, Instagram, Tiktok. Se tornou um desejo padrão, que conecta pessoas distintas.
Acho que isso explica a queda de qualidade (pelo menos no Brasil) nos jogadores de futebol. Porque o que eles sonham não é mais ser um atleta, e sim um influencer. Tive esse insight com caso da morte do influenciador Ganley. Ele ainda nem era um atleta profissional de fisiculturismo, mas era a inspiração de vários. Porque o fisiculturismo em si não era a inspiração, mas sim a vida de influencer. As pessoas não se inspiravam nele para subir nos palcos, mas sim por postar a vida na internet e ser amado por isso.
E não é algo que afeta apenas crianças. Neymar cresceu em uma época que o sonho padrão ainda era jogador de futebol, mas ele parece ter muito mais paixão por ser influencer do que jogador de futebol, mesmo com todo o talento possível para o futebol. Eu sinto que o coração dele, há muitos anos, está muito mais em ser influenciar pessoas (o maior brasileiro, inclusive) do que jogar futebol.
E se o futebol sai desse papel de desejo principal para secundário, a cultura de futebol é impactada por isso. E cultura é o que determina a força de um país no futebol, só ver a Índia e China. 1 bilhão de pessoas, mas nenhum bom jogador de futebol, porque quase nenhum dos meninos desse país cresce sonhando em jogar futebol.
Não sei como é isso em outros países com cultura de futebol forte (na América Latina, na Europa, na África), porque é algo bem sútil, que não dá para sustentar de forma objetiva, apenas um feeling vivendo no país. Mas aqui no Brasil, essa sensação é muito forte. Não é que os meninos não gostem de futebol, mas essa relação mudou. Eu sinto que os meninos se inspiram mais em um Cazé da vida do que qualquer outro jogador sub-30 brasileiro.
