Sukuna
Infelizmente um clube desse tamanho e administrado como um butequin de esquina.
em Bate-Papo da Torcida > O Corinthians não chegou a uma dívida de aproximadamente R$3 bilhões...
Em resposta ao tópico:
Não foi uma fatalidade, nem resultado de uma única administração.
Foi uma construção coletiva de irresponsabilidade.
Durante anos, dirigentes contrataram sem capacidade de pagamento, anteciparam receitas, acumularam processos, atrasaram obrigações e empurraram dívidas para os sucessores. Enquanto isso, grande parte dos conselheiros aprovou contas, ignorou alertas ou preferiu proteger alianças políticas.
Os presidentes mudaram. Os discursos também. A dívida continuou crescendo.
O balanço de 2025 registrou déficit superior a R$ 143 milhões. Até abril de 2026, o prejuízo acumulado já alcançava R$ 168 milhões. O clube convive com salários atrasados, processos, cobranças internacionais e transfer ban.
Ainda assim, a política interna continua concentrada em eleições, pedidos de impeachment, disputas estatutárias e controle de cargos.
É uma inversão completa de prioridades.
Enquanto credores esperam, grupos políticos negociam influência. Enquanto o caixa perde capacidade de pagamento, conselheiros discutem quem ocupará a próxima cadeira. Enquanto a torcida arrecada dinheiro para ajudar o clube, dirigentes presentes e passados trocam acusações e tentam preservar a própria imagem.
O Conselho Deliberativo deveria ser uma barreira contra administrações irresponsáveis. Deveria fiscalizar contratos, impedir gastos incompatíveis com a receita e cobrar explicações antes que o problema se tornasse irreversível.
Falhou.
Não é aceitável que contas sejam aprovadas e, meses depois, apareçam déficits, dívidas, bloqueios e obrigações não explicadas de maneira clara. Um conselho que apenas confirma decisões da presidência não fiscaliza. Apenas legitima.
A responsabilidade também alcança os conselhos fiscais e os grupos que dominaram o clube durante décadas. Quem teve acesso aos documentos, votou contas, participou das decisões e permaneceu em silêncio não pode alegar surpresa.
O Corinthians precisa romper com esse sistema.
A experiência de Parma, Rangers, Bury, Paraná Clube e Cruzeiro mostra que camisa, torcida e história não blindam um clube. Instituições tradicionais podem falir, ser liquidadas, perder divisões ou passar anos tentando reconstruir o que administrações irresponsáveis destruíram.
O Corinthians ainda possui uma vantagem poderosa: sua capacidade de gerar receita. Poucos clubes brasileiros conseguem mobilizar tanta gente, atrair patrocinadores e lotar um estádio com tanta frequência.
Mas nem mesmo a Fiel consegue sustentar indefinidamente um clube que gasta mal.
Por isso, uma intervenção judicial temporária e limitada não deve ser descartada. Não para entregar o Corinthians a outro grupo político, nem para permitir que um juiz administre o futebol. A finalidade seria proteger o patrimônio, fiscalizar o caixa e descobrir a verdadeira dimensão da dívida.
O primeiro passo deveria ser a nomeação de um observador judicial independente, com acesso às contas, contratos, sistemas e movimentações financeiras. Uma auditoria forense deveria analisar contratações, comissões, antecipações de receitas, cartões corporativos, pagamentos a intermediários e contratos considerados suspeitos.
Caso fossem comprovadas irregularidades graves, ocultação de informações ou descumprimento de decisões, dirigentes responsáveis deveriam ser afastados cautelarmente. O controle financeiro poderia ser transferido temporariamente a uma equipe técnica, com prazo, metas e fiscalização pública.
Uma intervenção sem limites seria perigosa. Poderia concentrar poder, paralisar o clube e criar problemas com as entidades esportivas. Por isso, qualquer medida deveria preservar a autonomia do futebol, ter duração determinada e devolver a administração aos órgãos estatutários depois da reorganização.
Mas continuar como está também representa um risco.
O Corinthians não precisa apenas trocar de presidente. Precisa mudar o modelo que permite a grupos políticos controlar o clube sem assumir responsabilidade real pelos resultados.
Conselheiros que aprovam contas precisam responder por seus votos. Dirigentes que assinam contratos precisam justificar suas decisões. Administradores que causam prejuízos por dolo ou ilegalidade precisam ser responsabilizados.
A torcida já fez sua parte muitas vezes.
Agora é a vez de quem governou, fiscalizou ou se omitiu explicar como um dos clubes de maior receita do país chegou a essa situação.
O Corinthians não pertence aos dirigentes do passado, aos dirigentes atuais, aos conselheiros ou às chapas eleitorais.
Pertence à sua história e à sua torcida.
Proteger o Corinthians exige retirar o clube das mãos de quem o trata como propriedade política.









