William Piva
Eu tentei ser jogador em 2013, fui pra escolinha do São Paulo (da até calafrios de pensar) e fiz a peneira lá. Lá a gente já falava que teria que ter uns 8 mil reais pra se manter na base do clube, pra pagar empresário e nem era certeza de que poderia dar certo a carreira de jogador. Fui pras trikas por que na época ainda era uma base boa e dava muita oportunidade pra garatoda. A do Corinthians todo mundo não queria ir por que é díficil de entrar e se manter se não pagar algum empresário forte. Santos eu até queria ir, mas não daria. Portuguesa eu via que era máfia, por que quase toda semana tinha peneira onde você tinha que pagar uns 50 reais pra participar, já achava estranho. Palmeiras eu nem sabia como entrar, por que nem informação de peneira tinha. São Bernardo até queria tentar, mas não aparecia peneira pra base (só hoje estão começando a voltar com a base do time). Então era muito ruim de entrar, eu fui tentar muito tarde, eu era zagueiro, o olheiro até me elogiou no dia, falando que eu fui bem, mas devia me atentar no erro que eu cometi e quase entreguei um gol e levaram uma garotada mais nova, ninguém da minha faixa de idade foi pra Cotia, pelo mesmo motivo: Idade. E eles eram bons, mas ninguém conseguiu sequer seguir esse caminho.
Agora imagina hoje como está, deve estar pior. De vez em quando eu vejo uns jogos de base de alguns clubes e meu amigo, que molecada ruim. Alguns até se salvam, mas os bons mesmos estão jogando na varzea, na quadra de bairro e nem sequer conseguem chegar na base por que não tem dinheiro pra manter empresário que ainda pode te ferrar se você não seguir o que ele manda
em Bate-Papo da Torcida > O futuro do futebol brasileiro é sombrio
Em resposta ao tópico:
No Brasil, a proporção é dura: de cada 7.000 crianças que entram (ou conseguem entrar) nas categorias de base, apenas 1 chega ao profissionalismo. Isso representa uma taxa de sucesso de aproximadamente 1,5% no geral, e esse número despenca para 0,01% quando se trata de alcançar a elite do futebol.
E, mesmo entrando, se não tiver que.I. (quem indica), dança.
Aí surgiram os empresários, os patrocínios, as escolinhas de futebol e, quem não pode pagar, dança. Antes, os talentos eram encontrados em peladas ou campos de várzea, campos esses que, em sua maioria, viraram torres e condomínios. Aí entram a tecnologia, o celular, a internet, os games de última geração e já era a fábrica de talentos.
E hoje o foco dos empresários e dos clubes é exportar a garotada antes de amadurecer aqui, fazendo o jogador perder até a identidade com o Brasil, tornando-os frios e mercenários.
Aliado a isso, há uma enxurrada de estrangeiros como jogadores e treinadores, tirando a vaga dos brasileiros e mudando totalmente o estilo brasileiro que sempre fez sucesso. Agora me aparece o Ancelotti e faz o Brasil ter 34% de posse de bola, com uma postura tática ridícula.
Vamos virar uma seleção que corre, se defende, espera, joga por uma bola, não dribla e não tem talento. Bem-vindos à nova era do futebol europeu.
Aí, nas convocações, em vez de pesarem os melhores do momento, entram o passado, a amizade, o patrocinador etc.
E, tirando o Neymar chorão, olhando a reação dos jogadores do Brasil na eliminação, estava tudo frio e cagando. Tanto que ninguém quis dar entrevista depois do fiasco. Tanto faz ganhar ou perder.
E, sobre ganhar Copa, quem viu, viu.






