A maior lição que o Corinthians deve tirar de 2024
Opinião de Ana Paula Araújo
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Rodrigo Garro e Memphis Depay são dois atletas que chegaram recentemente ao Corinthians
Foto: Jhony Inacio / Meu Timão
O torcedor corinthiano está tendo um dos melhores finais de ano desde 2017. Essa arrancada espetacular do time, fez com que o Corinthians tenha, por ora, a segunda melhor campanha do returno do Campeonato Brasileiro, perdendo apenas para o Internacional.
Reprodução/Meu Timão
Aliado a isso, ainda temos alguns recordes sendo quebrados, como a maior sequência de vitórias do Timão na história da Série A e Yuri Alberto como artilheiro do campeonato.
Essa fase excelente, não pode servir apenas como ingresso para Copa do Brasil e Libertadores. Ela deve ser uma lição a ser absorvida para o bem do clube futuramente.
Acontece que, na minha opinião, se formos analisar o que trouxe o time até esse belo momento, foi algo em comum que vai desde a diretoria e até o elenco. Esse dominador comum não é nada absurdo, é simplesmente a renovação.
A mudança começou quando outra chapa foi eleita após 16 anos de reinado da Renovação & Transparência. Porque no papel pode até ser bonito que não haja reeleição no Corinthians, mas a perputação de poder de um grupo que compartilha dos mesmos ideais, não vai fazer grande diferença na mentalidade e na maneira do clube se portar, independente de quem assine no final da folha.
Isso eu acredito que seja algo válido para a vida. Precisa haver espaço para nova ideias, novos pensamentos, para contestar algo, mudar de verdade. E isso jamais vai acontecer com o mesmo grupo no poder.
Por isso tudo, acredito que esse primeiro passo foi dado lá atrás, ainda em 2023, quando Augusto Melo foi eleito presidente do Corinthians. E, não, não estou aqui militando para a situação. Inclusive acho que a direção atual não pode se estender demais atrás da mesa.
Precisamos sempre renovar. É preciso saber a hora de parar. Talvez essa seja a tarefa mais difícil para todos nós que fazemos algo por amor, poder ou seja lá o que for. Largar o osso, desculpe a expressão, é difícil.
Outro grande passo nessa escalada de sucesso foi quando a direção entendeu, finalmente, que o elenco precisava ser revisto. O que acontecia atrás das mesas no clube, se estendeu aos gramados. O elenco de medalhões, não tinha sido renovado de fato. Pelo contrário, o que víamos era sempre alguém ser repatriado, porque jogou bem um dia por aqui.
Mas parece que muitas vezes o que de fato foi bom, é interpretado de forma errada. Não foi um elenco de medalhões que ganhou a Libertadores e o Mundial. Pelo contrário, foi gente pescada em campeonados estuduais, times do interior sem grande expressão, vindos de carreiras "fracassadas" no exterior.
Para você ter uma ideia, esse foi o time que perdeu para o Red Bull Bragantino na estreia do Paulista 2023:
Reprodução/Meu Timão
E essa foi a equipe titular que terminou a temporada 2023:
Reprodução/Meu Timão
O treinador, cabe lembrar, era Mano Menezes.
Muita gente que já não apresentava seu melhor futebol, muita gente que, desculpe, fez hora extra aqui.
Para essa temporada, vários atletas chegaram. André Carrillo, que jogou demais contra o Bahia e vem sendo destaque nessa equipe. Cacá, que começou com desconfiança por causa dos gols contra, mas que agora passa firmeza na zaga. Hugo Souza que veio suprir talvez a posição mais difícil, principalmente porque quem ocupava o espaço ali, embaixo das traves, era ninguém menos que Cássio, multicampeão pelo Corinthians. Memphis Depay que tem todo um diferencial e desequilibra. André Ramalho, Alex Santana e tantos outros que fica complicado citar. Na beira gramado, a família Díaz também vem fazendo toda diferença.
O que quero dizer é que se há uma grande lição que deve ficar para o Corinthians nessa temporada, é que tudo tem um começo, meio e fim. Como profissionais, nós começamos, produzimos o máximo e existe uma hora que não vamos render tanto quanto antes e precisamos dar espaço para quem vai.
O Cássio é o melhor exemplo disso. Chegou como reserva, se destacou, teve seu auge, o manteve por um bom tempo, mas decaiu e precisou dar espaço para um outro alguém. Foi de atleta, a lenda.
Ninguém que teve uma história de amor, carinho e vitória será esquecido ou menos importante só porque saiu do Corinthians. Essa torcida tem memória, amigos. A melhor do Brasil.
Já dizia Lavoisier, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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