Quem é Corinthians entende que esse título não foi só futebol
Opinião de Ana Paula Araújo
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Romero levanta troféu da Copa do Brasil
Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão
O Corinthians saiu vencedor da Copa do Brasil ao ganhar do Vasco por 2 a 1 em pleno Maracanã. Quem viu o Corinthians no começo dessa temporada jamais iria imaginar que o ano terminaria com uma taça tão importante quanto a da Copa do Brasil. Parecia que seria só mais um ano em que o Paulista viraria Paulistão e salvaria o Corinthians de não passar em branco. Ainda bem que foi diferente, porque a sensação de ver meu time levantar essa taça é indescritível.
Talvez essa tenha sido a temporada mais conturbada do Timão desde o rebaixamento, em 2007. Problemas internos gravíssimos, de ordem política e até policial, foram os protagonistas das manchetes sobre o Corinthians. É terrível demais abrir notícias e só ler coisas ruins sobre o meu time do coração, perceber que o futebol — outrora protagonista dessa história — virou quase um detalhe em meio a uma crise de proporções imensas.
E, ainda assim, o Corinthians venceu. E quando vence, não é só um resultado no placar, o Corinthians arrepia. Arrepia a alma. É aquela sensação difícil de explicar, mas impossível de negar, que invade o corpo inteiro e faz tudo ao redor perder importância por alguns instantes. É como reviver momentos raros de conquista, aqueles que a gente guarda para sempre na memória e no coração.
Comemorar esse título me levou a comparar essa emoção com outras vitórias pessoais. A sensação de quase fechar uma redação em um concurso tão disputado, o nascimento dos meus filhos, as pequenas conquistas deles, seja vencendo algum disputa da escola ou se formando na pré-escola. Guardadas as proporções, o Corinthians me provoca algo muito parecido. Um orgulho profundo, que não se explica com números, balanços ou discursos. É sentimento puro.
Por isso, dói tanto ver o potencial desse clube sendo desperdiçado. Um clube gigante, com torcida gigante, estrutura gigante, mas frequentemente refém de gestões pequenas. Ainda assim, o Corinthians resiste dentro e fora de campo e sobrevive aos próprios erros, às crises e às tentativas de apequenamento.
Esse título não apaga os problemas, mas reacende algo fundamental, que é a esperança. Esperança de que 2026 marque uma virada política real, de que haja uma reestruturação séria, responsável e à altura da grandeza do Corinthians. Porque esse clube pode e deve muito mais do que tem entregue nos últimos anos.
O Corinthians não é só um time. É orgulho, é arrepio, é identidade, é amor, é loucura. E quando levanta uma taça, lembra a todos, inclusive a si mesmo, do tamanho que tem e do quanto ainda pode alcançar.
Obrigada por existir, Corinthians!
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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