Corinthians denunciado e o casuísmo do Artigo 191
Opinião de Ana Paula Araújo
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Baile em Itaraque no telão durante jogo contra o Vasco
Foto: Reprodução/Corinthians
A denúncia contra o Corinthians pelo "Itaquera virou baile" no telão é o exemplo perfeito de como a Justiça Desportiva, às vezes, perde a mão na dose.
O uso do Artigo 191 do CBJD, nesse caso, escancara um problema crônico, que é a transformação de um dispositivo legal em um coringa para punir qualquer coisa. É um dos artigos mais usados para denunciar clubes, justamente por sua amplitude e casuísmo.
Regras existem para ser cumpridas e o rigor é necessário em muitos casos, mas o que estamos vendo com a aplicação do Artigo 191 do CBJD é um exagero que beira o absurdo.
O grande problema é que esse artigo virou uma espécie de pretexto jurídico. Ele é tão vago que permite enquadrar qualquer coisa como descumprimento de obrigação, transformando uma provocação leve e saudável em uma infração disciplinar pesada.
Ao tentar higienizar o ambiente do estádio a esse ponto, a Justiça acaba apagando o que o futebol tem de melhor, que são a paixão, a emoção e aquela zoação sadia com o rival que alimenta as arquibancadas, as mesas de bares e as casas há décadas. É o que atrai um público tão cativo para o estádio e tornou o futebol o esporte mais amado do planeta.
Transformar uma frase de celebração em um processo judicial é ignorar a cultura do futebol e faz com que o esporte passe a perder o que atraiu milhões de pessoas: a sua passionalidade. Não se pode mais ter emoção ou mesmo rir do rival que perdeu?
Quando o sistema começa a punir o folclore e a diversão, ele banaliza a própria justiça. Se tudo vira denúncia, as questões que realmente importam, como a violência real, o racismo ou a manipulação de resultados, perdem o peso que deveriam ter.
Precisamos de um futebol organizado e com regras claras, sim, mas não de um esporte robótico e sem alma, onde a alegria de ganhar e provocar o adversário seja tratada como um crime administrativo. É preciso ter critério para que a lei sirva para proteger o jogo, e não para matar a sua alma.
O Corinthians, mal administrado e cada vez mais perdendo o respeito no meio esportivo, virou a vítima perfeita para as decisões questionáveis do STJD.
Veja o caso de Hugo Souza, denunciado por reclamar da arbitragem. Obviamente, a linha entre opinião e difamação é tênue. Por conta disso, é preciso aprender a criticar, mas o ato em si não deveria ser punido, pois isso fere um direito fundamental: o de se expressar.
No fim, é preciso equilíbrio, já que regras são importantes, mas não podem sufocar a essência do futebol, que vive da emoção, da rivalidade e da liberdade de se expressar.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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