Corinthians, Libertadores e a necessária renovação de ciclos
Opinião de Ana Paula Araújo
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A famosa comemoração do gol de cabeça do Paulinho contra o Vasco da Gama na Libertadores 2012
Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Eu acho que quem inventou essa história de ciclos é um bendito gênio. Quem dividiu o tempo deveria ser considerado o maior ser humano que já pisou neste planeta. Começar a repartir algo contínuo não só organizou metodicamente as vidas em todo canto, como fez nascer, mesmo que involuntariamente, a necessidade de nos renovarmos de alguma maneira com frequência.
Veja bem, a cada 365 dias comemoramos um Ano Novo. Mas como o homem é complexo e cheio de nuances, isso não se restringiu a apenas algo palpável como uma volta completa em torno do Sol, mas se estendeu à renovação de ciclos, uma coisa totalmente subjetiva. Você promete que no próximo ano irá ou não fazer isso e aquilo. Que vai conquistar um objetivo qualquer. Não importa. Todos nós, por mais céticos que sejamos, sentimos no fundo da alma a necessidade de um recomeço. Com o futebol não seria diferente, mais especificamente com o Corinthians, isso é algo totalmente maior.
Na próxiima quarta-feira a Fiel entra em mais um ciclo. Um ciclo que traz consigo a esperança de algo bom, um ciclo que, ironicamente, por mais que seja previsto entregar novidades, a gente quer algo já conhecido: uma nova taça da Libertadores.
Vai ser ali, no pontapé inicial que o Ano Novo começará para a torcida do Corinthians. Um Ano Novo em que, certamente, queremos ser mais calmos, menos exigentes. Dizemos ser mais compreensivos, afinal, a equipe não prometeu nada e já entregou tanto. Mas como de praxe, a gente não vai cumprir nada disso. Vamos ter mini-infartos, vamos xingar (e muito!), vamos cobrar ainda mais e não queremos saber de nada, nem da temporada absurdamente ruim que fizemos no passado, porque é um novo cliclo e queremos algo novo que culmine em algo velho. Tal qual você, quando pula ondinhas na praia, a gente vai pular de emoção em busca daquilo que todos procuramos ao começar uma etapa nova: a velha e conhecida felicidade. Porque no fim das contas, a humanidade segue buscando desesperadamente maneiras de encontrar a cobiçada alegria duradoura. E com o futebol, que é de longe o esporte mais passional do planeta, isso ainda é mais forte e real.
Mas o que seria de nós, torcedores, sem a tristeza para ter algo para comparar e saber que aquilo ali é diferente, é bom, e portanto feliz? Sem romantizar o que é ruim, mas foram das vezes em que caímos junto com esse clube que tiramos força para nos levantarmos. Foram por tantas vezes em que sucumbimos, e conseguimos resistir e nos reinventar, que sabemos que conseguimos ser mais fortes. Foi por não triunfarmos sempre, que hoje damos o valor de cada conquista, ainda mais que os outros.
Por isso, convido você, amigo torcedor, a expressar toda sua euforia de amante louco que é. Não poupe a garganta e grite, grite muito por essa equipe porque ela sente, viu? Não sei você percebeu algo estranho no ar, uma indentificação maior. Do propopó nos finais dos embates, às visitas do badalado atleta às favelas, esses jogadores se conectaram conosco. A cada vibração, a cada deslizar ao comemorar um gol, a cada martírio, a gente se conecta mais com eles. A conexão que é feita no dia a dia jamais será quebrada, o laço unido na dor, no desespero, se ata mais fortemente.
Bom começo de ciclo, Fiel!
Vai, Corinthians!
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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