O tapa na cara mais elegante da história do Corinthians
Opinião de Ana Paula Araújo
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Técnico Tite levantou placa em homenagem à torcida após conquista do Mundial de Clubes em 2012
Foto: Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians
O Mundial de Clubes começou, e o corinthiano terá que se contentar em ser apenas espectador. Isso porque o clube simplesmente não atende a nenhum dos critérios de classificação para o torneio. É, no mínimo, vergonhoso: o maior campeão das Américas — e o último sul-americano a levantar esse troféu — está fora da disputa.
Entenda os critérios
Havia duas formas de se classificar:
-
ser campeão de uma das quatro últimas edições da Libertadores.
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ou estar bem posicionado no ranking da Conmebol
Enquanto pelo ranking foram River Plate e Boca Júniors, ambos da Argentina, atendendo ao primeiro critério essas são as equipes que se classificaram:
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Palmeiras — campeão de 2021
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Flamengo — campeão de 2022
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Fluminense — campeão de 2023
-
Botafogo — campeão de 2024
Ou seja, não sobrou espaço. E o Corinthians? Nem perto.
Hegemonia brasileira (sem o Corinthians)
Nos últimos 13 anos, o Brasil dominou a América do Sul com 9 títulos da Libertadores. Veja o histórico recente:
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2012: Corinthians 🇧🇷
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2013: Atlético Mineiro 🇧🇷
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2014: San Lorenzo 🇦🇷
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2015: River Plate 🇦🇷
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2016: Atlético Nacional 🇨🇴
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2017: Grêmio 🇧🇷
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2018: River Plate 🇦🇷
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2019: Flamengo 🇧🇷
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2020: Palmeiras 🇧🇷
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2021: Palmeiras 🇧🇷
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2022: Flamengo 🇧🇷
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2023: Fluminense 🇧🇷
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2024: Botafogo 🇧🇷
O Corinthians, que abriu essa sequência em 2012, não voltou nem perto de repetir o feito.
Nossa realidade nos rankings
Na Conmebol, o Corinthians aparece apenas na 18ª posição, atrás de clubes como Libertad e LDU.
No ranking mundial da IFFHS, é o 30º, enquanto rivais como Flamengo (8º), Atlético-MG (13º) e São Paulo (29º) estão à frente.
Sabe o que é mais triste? Isso nem reflete tão mal o que deveríamos merecer pela gestões horrendas. A tendência, se nada mudar, é cair ainda mais.
Onde foi que nos perdemos?
Em 2013, o Corinthians era vice-líder do ranking da Conmebol, embalado pelos títulos da Libertadores e do Mundial. Hoje, ocupa a 18ª posição continental e amarga a 30ª no ranking mundial. E não dá para dizer que falta dinheiro. A receita do clube segue sendo uma das maiores da América do Sul.
O que falta é gestão. Planejamento. Profissionalismo. Enquanto isso, rivais se organizam, crescem, faturam e conquistam. E nós? Vivemos de passado, das piadas de "maior campeão mundial FIFA brasileiro", que, honestamente, a cada ano se tornam mais frágeis.
E qual é a solução?
Ficar reclamando não resolve. É preciso, com urgência, transformar o Corinthians em um clube profissional de verdade. O caminho não é segredo para ninguém — basta olhar o que os clubes que hoje estão no topo fizeram:
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Profissionalizar a gestão, afastando de vez os interesses políticos e pessoais que tomaram conta do clube.
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Reformar o estatuto, senão nada disso fará sentido algum e nem será passível de ser implementado.
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Implementar governança séria, com metas, planejamento, transparência e prestação de contas. E isso inclui pagar um salário aos gestores.
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Controlar a dívida e equilibrar as finanças, priorizando quem gera receita e entrega resultado dentro de campo.
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Criar um departamento de futebol eficiente, comandado por profissionais qualificados, que entendam de mercado, de scout e de gestão esportiva.
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Valorizar a base de verdade, como pilar não só esportivo, mas também financeiro. Enquanto o rival valoriza seu jovem jogador, o Corinthians praticamente não forma ninguém.
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Responsabilizar e punir as ingerências como forma de coibir e diminuir as péssimas decisões de quem senta atrás da mesa.
O Corinthians tem torcida, tem história e tem marca para estar entre os maiores do planeta. O que falta — e já faz tempo — é competência.
Ou o clube muda radicalmente sua mentalidade, ou vai continuar colecionando vexames enquanto vê os rivais acumularem conquistas, faturamento e espaço no cenário internacional.
Se é para dar tapa na cara, que seja o da realidade. E que ele sirva, urgentemente, para acordar quem comanda o Corinthians. Antes que seja tarde demais.
Até quando?
Até quando o título mundial de 2012 vai ser usado como muleta? Até quando vamos aceitar não fazer nem figuração em competições de nível internacional? Até quando vamos fingir que está tudo bem, enquanto somos ultrapassados por clubes que nem de longe tinham nossa estrutura, torcida e receita?
Este texto não é só uma crítica. É um desabafo. De quem ama, sofre e espera, um dia, ver o Corinthians de novo no lugar que merece: no topo do Brasil, das Américas e do mundo.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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