Corinthians ameaça cortar futsal campeão para ignorar rombos maiores
Opinião de Ana Paula Araújo
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Deives e Rodrigo no duelo entre Corinthians e Magnus Futsal
Foto: Beto Miller / Agência Corinthians
O Corinthians avalia o fim da equipe profissional de futsal, conforme informou o Meu Timão na nota desta última quinta-feira sobre a reunião do Cori.
O plano é cortar gastos, e a equipe de futsal vira alvo da direção corinthiana, mesmo vivendo boa fase. Para quem não sabe, o futsal foi vice-campeão da Super Copa Gramado no início do ano e garantiu os títulos da Taça SP e do Torneio Mucho Más, este último disputado na Espanha contra adversários que participam da Champions League de Futsal. Atualmente, a equipe está nas quartas de final da LNF (Liga Nacional de Futsal). Além disso, a equipe também está na semifinal do Campeonato Paulista, onde enfrentará a Ferroviária Pinda.
Para mim, apenas cogitar essa possibilidade escancara que o Corinthians ainda vive no século passado.
O modelo antigo de clubes sociais, especialmente no Brasil no início do século XX, estabelecia que a instituição em si – o clube de elite – era mais importante para a vida social e para o status dos seus membros do que as atividades esportivas que promovia. Esses clubes funcionavam primariamente como centros de convivência e networking da alta sociedade e da nova burguesia, sendo ambientes estritamente exclusivos para a realização de festas, bailes e para a consolidação de relações sociais. Ser sócio, com títulos caros e aprovações sociais rigorosas, era um poderoso símbolo de distinção que reforçava as hierarquias de classe.
O esporte, como o futebol ou o remo, era introduzido, inicialmente, como uma ferramenta acessória, seguindo o ideal europeu de culto ao corpo e formação de caráter. No entanto, sua função principal era adicionar um toque de modernidade e prestígio ao clube. Portanto, a função social e o prestígio do clube ofuscavam frequentemente a importância da excelência e da competição esportiva em si. Essa lógica só começou a mudar com a crescente popularização e profissionalização do futebol, quando a importância do desempenho em campo e da torcida superou a exclusividade social.
Na minha opinião, a decisão de cortar o time profissional de futsal, mantendo apenas a base, é um tiro no pé em termos de gestão de talentos. É uma contradição de planejamento que desvaloriza o próprio investimento feito nas categorias inferiores.
Se o clube insiste em ver o futsal apenas como uma escola para o futebol de campo, ele está sendo míope e injusto com a própria modalidade. O atleta que tem o futsal como paixão e objetivo de vida não vai se contentar em ser apenas um meio para o sucesso de outro esporte. Para esse jovem, a extinção da equipe profissional no Corinthians significa o fim da linha dentro do clube.
O resultado é previsível, o Corinthians gastará recursos formando talentos de altíssima qualidade, atletas que desenvolveram o raciocínio rápido e a técnica refinada que tanto se busca, apenas para vê-los migrar de graça para os concorrentes diretos, que oferecem o que o Corinthians tirou: um futuro profissional e a chance de disputar a LNF.
Em suma, ao eliminar a equipe principal, o Corinthians transforma sua base em um celeiro de talentos gratuitos para os rivais. É uma economia pequena que custa a perda de prestígio, de títulos e, pior, a perda dos próprios atletas que o clube investiu para formar.
Mesmo sem saber exatamente quanto o futsal profissional gasta, pois seu custo está misturado nas despesas do Clube Social, é claro que buscar economia nele seria um erro, já que existem problemas financeiros muito maiores em outras áreas.
O Clube Social é o principal foco de desperdício, com um prejuízo altíssimo. Para salvar o futsal, o Corinthians precisa urgentemente fazer cortes no Parque São Jorge ou seja, nas mordomias dos associados. O clube gasta milhões em funcionários e em serviços terceirizados. Se a diretoria fizer uma limpeza rigorosa, eliminando cargos desnecessários e renegociando todos os contratos de limpeza e segurança, a economia seria muito maior do que a necessária para manter o time de futsal.
No futebol de campo, a solução também não passa por cortar o futsal, mas sim por parar de gerar multas e dívidas na Justiça Internacional, como o CAS. Esses processos judiciais custam uma fortuna e criam rombos gigantescos e imprevisíveis no balanço. É só comprar e pagar, sabe? Ou, se não tem dinheiro, arruma casa e depois compra. Além disso, uma gestão mais inteligente dos salários do elenco principal, que tem uma folha altíssima, liberaria recursos.
Em resumo, o futsal não é o vilão da dívida. A solução para manter a modalidade vitoriosa é arrumar a casa no Clube Social, que gasta demais, e controlar os passivos judiciais e os altos salários do futebol de campo.
Como sempre, o Corinthians busca o caminho mais conveniente e cômodo para os que se acham donos do clube, os associados. Isso escancara o quanto o pensamento desses senhores está preso num modelo que não existe mais.
Socorro!
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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