Corinthians encontrou a solução para todos problemas
Opinião de Ana Paula Araújo
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Corinthians decide fechar basquete em um dos melhores momentos do feminino
Foto: Beto Miller / Agência Corinthians
Obviamente o título contém ironia. O que acontece é que o Corinthians decidiu que o basquete não segue em 2026 como se isso fosse uma solução mágina para os problemas gravíssimos que o clube vive. Arbitrariamente, o presidente chega, diz que precisa cortar custos e, simples assim, uma modalidade inteira é descontinuada. O que pega é que isso acontece justamente agora, com o time feminino na final do Paulista e o masculino em uma boa sequência de vitórias no NBB. Parece que escolheram o melhor momento de desempenho para tomar a pior decisão possível, ou seja, nem um bom desempenho impede uma péssima ideia de sair do papel.
Mas por que isso? Falam em economia, mas ninguém mostra os números de verdade, quanto custa, quanto economiza, o que realmente pesa no orçamento. Aliás, nem tem nada específico nos balanços falando quanto cada modalidade rende e custa. Não tem transparência. A gente tem que confiar, né? Mas é complicado pedir que o torcedor confie em quem já provou não ser de confiança. E não estou falando apenas do presidente Stabile que já disse que as dívidas foram de outra gestão, mas que está no Corinthians praticamente desde sempre e compactou, sim, com diversas decisões grotescas que foram tomadas. Estou falando de todo mundo que está lá e que, de alguma forma, também ficou inerte enquanto o clube sofria desmandos de incompetentes.
A impressão é que estão tentando resolver o problema errado, porque o certo dá muito mais trabalho. Cortar uma modalidade é fácil, até parece elegante no discurso, dá uma aura de gestão responsável. Mas todo mundo sabe que o problema financeiro do clube não nasceu na quadra, ele vem de cima, onde as más decisões, para dizer o mínimo, são comuns e a clareza é quase um mito.
Essa ideia de corte não é nova. Há semanas já se falava em acabar com o futsal e eu fui contra desde o início, porque não faz sentido nenhum desmontar as únicas áreas que ainda funcionam bem e dão frutos. A impressão é que o Corinthians vive de imprevistos, como se tudo fosse decidido de última hora, sem planejamento. E essa impressão cada vez mais deixa de ser impressão e já flerta com a certeza.
Enquanto isso, a gente não sabe quanto cada setor gasta, quais contratos são pesados, quem recebe o quê. Falta um relatório claro que o torcedor possa entender. Sem isso, é difícil acreditar que fechar o basquete vá salvar o clube.
A verdade é que o Corinthians não vai sair dessa situação mexendo no que está mais acessível, vai sair quando começar a mexer no que realmente causou o problema. Mas aí coragem some, né?
No fim, o clube perde um time que estava em seu melhor momento em anos, e perde também um pedaço importante da sua identidade. Não por necessidade real, mas por falta de competência de quem deveria cuidar do clube e prefere administrar para agradar a poucos, enquanto o resto da torcida fica olhando, cansado dessa rotina.
E não adianta cortar basquete, futsal ou o que vier. Enquanto a origem do problema continuar intocada, nada muda.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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