x
O Corinthians não saber se despedir
Beatriz Maineti

Apaixonada pelo futebol, mas, antes de tudo, feita de Corinthians. O mundo em preto e branco é mais bonito.

ver detalhes

O Corinthians não saber se despedir

Coluna da Beatriz Maineti

Opinião de Beatriz Maineti

25 mil visualizações 95 comentários Comunicar erro

O Corinthians não saber se despedir

Fagner está no Corinthians desde 2014 e nunca teve um reserva que o ameaçasse

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

A reformulação do Corinthians era um grande sonho - não só para a torcida, que viu o time fazer um péssimo 2023, mas também para a nova diretoria, comandada por Augusto Melo. Durante o período de campanha, Melo disse a plenos pulmões que mudaria tudo o que fosse possível e que iria impor ali o “maior choque de gestão de todos os tempos”. Aos ouvidos do público, a promessa soou como uma música harmoniosa; a realidade, porém, é um show de boteco com um violão sem corda.

Augusto fez muitas promessas antes e depois de ser eleito. Em determinado momento, chegou a dizer que traria 12 reforços para o time do Corinthians, pensando em titulares e reservas. Na vida real, porém, o buraco se mostrou muito mais embaixo. Com pouco poder aquisitivo e com o nome sujo na praça, toda e qualquer negociação para o presidente se tornou uma batalha. Os clubes pediam adiantamentos, garantias em parcelamento e alguns nem quiseram negociar.

Isso, porém, não foi analisado por ele com calma. Entre vendas, perdas e dispensas, Augusto tirou seis jogadores do time titular, e só conseguiu trazer quatro peças para os 11 iniciais. Fora estes, suas contratações buscavam compor elenco, o que também era parte do projeto. A verdade, porém, é que o projeto precisava ter sido feito de forma mais inteligente.

O maior problema neste caso é que, infelizmente, não dependia só do novo presidente. Para conseguir reformular como queria, Augusto precisava ter contado com a colaboração das gestões anteriores, que não fizeram seu papel direito. Com negociações confusas, nomes duvidosos, trocas de técnico a torto e a direito e um departamento de futebol defasado, a Renovação & Transparência entregou um Corinthians sem saída, e Augusto ainda não encontrou o caminho das pedras amarelas.

Montar um elenco de um ano para o outro é difícil. Montar um elenco de um ano para o outro com pouco dinheiro, é ainda pior. E montar um elenco para o Corinthians de um ano para o outro e com pouco dinheiro, beira o impossível. É verdade que Augusto deveria ter pensado melhor antes de assinar tantas dispensas como fez em dezembro de 2023, mas é verdade, também, que o legado que recebeu chega a ser vergonhoso.

A eleição presidencial do Corinthians aconteceu em 25 de outubro de 2023. Na época, o time disputava apenas o Campeonato Brasileiro e brigava contra o rebaixamento. Disso todo mundo sabe. Mas tem um fato que, a olho nu, pode escapar os mais distraídos: quando Augusto Melo recebeu a notícia que seria o novo presidente do Timão depois de ter derrotado seu adversário, o Corinthians tinha acabado de sofrer uma goleada por 5 a 1 para o Bahia, dentro de casa, com basicamente a mesma linha defensiva que era utilizada em 2014: Cássio; Fagner, Gil, Lucas Veríssimo e Fábio Santos. A única mudança era Veríssimo.

Passados dez anos entre uma data e outra, todos os jogadores citados já sentiam o peso da idade. Com a exceção de Cássio, porém, nenhum deles tinha um reserva a altura. Quando chegaram ao Corinthians, o time já era comandado pelo mesmo grupo político que ocupou as salas da diretoria até ano passado, e dois deles (Gil e Fábio Santos) foram contratados e recontratados justamente por estes cartolas. Em momento algum, porém, houve o entendimento de que o elenco precisava de mais e de que era preciso ficar atento ao mercado.

E assim seguiu: entre chegadas e saídas de reservas, técnicos e companheiros, alguns nomes seguiram ali, absolutos. Hoje, porém, a carga fica mais pesada para quem comanda o time. Gil e Fábio Santos deixaram novamente a equipe: o primeiro não teve seu contrato renovado, e o segundo pendurou as chuteiras. Fagner, porém, bateu os 34 anos e nunca viu sua titularidade ameaçada. Agora precisa escolher o setor do campo em que irá atuar, pois seu físico não lhe oferece mais a agilidade que ele um dia teve. Cássio, ídolo inabalável e líder de elenco, sofre com críticas pela baixa impulsão em bolas altas e já sente o cansaço dos 36 anos, sendo a maior parte deles dedicados ao ofício de goleiro.

O Corinthians, desde 2012, não se prepara para substituir seus jogadores, seja por saídas eventuais, aposentadorias ou até porque, de vez em quando, a gente precisa saber quando é hora de desacelerar. E hoje, com uma necessidade aguda de reformulação, o clube não tem a opção de buscar reservas para a maior parte das suas posições; precisa de titulares. Um jogador titular em boa idade e condição física custa caro, e o clube hoje não tem dinheiro para ir ao mercado com tanta força.

Como reformular um elenco que nunca teve reserva para um lateral de 34 anos? Como dizer a um ídolo que é hora de começar a preparar o próximo para assumir o seu lugar?

Se despedir é algo difícil; ninguém realmente está pronto para admitir que ciclos se encerraram. Neste caso, falar é infinitamente mais fácil do que fazer. Mas para que haja uma reformulação é verdade, é por estes casos que devemos começar: é preciso entender que nem tudo dura para sempre, e a ruptura não precisa ser abrupta, feita de um dia para o outro. Ela pode ser gradual e respeitosa, levando adiante o legado deixado por um jogador tão amado pelo clube.

O torcedor que ama e idolatra não quer perder a admiração que sente pelo jogador. Afinal, como uma vez disse o Doutor, “o Corinthians é uma religião, é uma grande nação, mas muito mais do que isso, o Corinthians é uma voz, o Corinthians é uma força, é uma forma de expressão que a sua população tem”, e os jogadores dentro de campo tem papel fundamental em honrar essa representação de amor.

Por isso, é preciso saber deixar ir e aceitar quando chega o momento. Mas, no fim das contas, será que nós estamos preparados para dizer “adeus”? No fim, será que nós, torcedores, realmente sabemos nos despedir?

Veja mais em: Fagner, Augusto Melo, Duílio Monteiro Alves, Cássio, Fábio Santos e Gil.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Avalie esta coluna
Coluna da Beatriz Maineti

Por Beatriz Maineti

Apaixonada pelo futebol, mas, antes de tudo, feita de Corinthians. O mundo em preto e branco é mais bonito.

O que você achou do post da Beatriz Maineti?

  • Comentários mais curtidos

    Foto do perfil de Fabrício Bernardes

    Ranking: 8840º

    Fabrício 234 comentários

    @fabricio.bernardes1 em

    Tem que ser aguda e abrupta. Chega dessas porcarias no clube só está atrapalhando e não é de hoje. Já faz uns anos essas m****s atrapalhando. Já chega desses derrotados.

  • Foto do perfil de Carlos

    Ranking: 3238º

    Carlos 797 comentários

    @carlos.oliveira36 em

    Chega dos idosos e acomodados no clube, um time grande como o Real Madrid foi capaz de deixar ir embora CR7, Benzema e outros, e pq o Corinthians não pode fazer igual com Cássio e Fagner? Ciclos também terminam.

  • Publicidade

  • Últimos comentários

    Foto do perfil de Ronaldo

    Ranking: 2723º

    Ronaldo 938 comentários

    95º. @ronaldo.xavier2 em

    Essa reformulação tinha que acontecer de qualquer jeito não dava mais nem para o jogadores que estavam aqui no Timão já estavam sem vontade isso era nítido então sejao felizes em outro lugar

  • Foto do perfil de MARCIO M RAMOS

    Ranking: 3171º

    Marcio 815 comentários

    94º. @marcio.m.ramos em

    O contrato do Fagner e do Cássio acabam em 31/12. Só não renovar. Agora, nenhum jogador pode ficar tanto tempo assim num clube. Eles passam a se acharem donos. Olhem o exemplo do Ceni e do Marcos. Outros goleiros que afundaram os clubes deles por terem ficado mt tempo num time só.

  • Foto do perfil de Eduardo

    Eduardo 85 comentários

    93º. @eduardo.rodrigues.d3 em

    Esse negócio de ser time paternalista já era...clubes como Palmeiras e tines europeu que tem gestão profissionalizada não tem esse tipo de postura...sempre alternando o elenco e deixando mais forte a cada temporada visando o preparado físico...sendo um diferencial e vantagem em relação outros times...o Corinthians tem que mudar sua gestão no futebol urgente...

  • Foto do perfil de PAULO

    Paulo 32 comentários

    92º. @paulo-roberto-olive1 em

    Cara temos de ser realista reformular e ganhar título no mesmo ano é muito difícil ainda mais com pouco dinheiro

  • Foto do perfil de Fabio

    Ranking: 2210º

    Fabio 1156 comentários

    91º. @fabio.garcia16 em

    Quando li que? Perdemos? 6 jogadores do time titular já comecei a rir.

    6 caras que entravam sem vontade alguma nem titular deveriam ser. Nada vive de passado. E o presente daquele Corinthians com eles era muito ruim.

    Gil e Giuliano foram respirar ares novos e fez bem a eles. Assim como o RA e outros.

    Seria inútil mantê-los aqui daquela forma. E penso a mesma coisa sobre os que ficaram. Se forem para outros times e jogarem com a vontade que já não tem mais por aqui, ok, São profissionais.

    Segurar os caras que não tem vontade é totalmente inútil. Que venham novos jogares, como o Ranieli, por exemplo, e se abra uma nova era, sem ex jogadores que fizeram sucesso a 10 anos atrás, mas hoje o tempo já passou e não são mais aqueles craques que já foram