O vice do Brasileirão de 2019 enfim ficou para trás
Opinião de Bruno Cassiano
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Nicole comemorando a defesa que classificou o Corinthians para mais uma final
Foto: Staff Images Woman/CONMEBOL
Nos poucos minutos entre o gol de empate sofrido e o início da disputa de pênaltis da semifinal da Libertadores Feminina deste ano, um filme passou pela minha cabeça. E aposto que também passou pela cabeça de todo e qualquer um que acompanha a modalidade do Corinthians desde a sua reativação lá em 2016. O filme em questão é sobre uma final de uma competição diferente, em um ano diferente, com personagens (em sua maioria) diferentes, mas com a mesma Ferroviária, com sua postura e estratégia idênticas, antagonizando a história de nossas heroínas, as Brabas.
Tanto no jogo de seis anos atrás quanto no jogo deste ano, havia algo estranho. O time jogou melhor e abriu o placar, mas mesmo produzindo muito no ataque e quase não sofrendo na defesa, não conseguia ampliar a vantagem, a bola simplesmente se recusava a cruzar a linha do gol das adversárias mais uma vez e, como não é de surpreender, o futebol é impiedoso com quem não aproveita suas chances, em outras palavras, "quem não faz, toma".
Andressa, ex-zagueira do Corinthians, surgiu sozinha dentro da área para aproveitar a melhor chance da Ferroviária no segundo tempo e empurrar a bola para o fundo das redes. Empate grandioso para elas, doloroso e com alerta de tragédia para nós. Por pouco, a Ferroviária não conseguiu uma virada histórica nos minutos finais da partida, o que só confirmaria aquilo que a Fiel temia: a repetição daquela decisão no ano de 2019.
Da comemoração das adversárias no apito final, passando pelo semblante desanimado das Brabas até a cobrança desperdiçada por Jaqueline, muitos desfechos já tinham sido imaginados e pouquíssimos deles eram felizes para o lado alvinegro. Após as adversárias conquistarem vantagem na disputa de pênaltis, parecia que pintaria a final mais improvável da competição atual: Deportivo Cali x Ferroviária, com requintes de crueldade.
Tudo apontava para mais uma derrota traumática nos pênaltis, daquelas que seriam usadas e citadas incansavelmente na cobertura dos jogos, como aquela de 2019. Mas quis o destino (AAAh, o destino!) que o final desse filme fosse diferente. Mylena isolou sua cobrança, deixando tudo igual na disputa, em seguida foi a vez de Fatima Dutra, jovem promessa do nosso futebol, bater bem, mas parar em Nicole, já nas cobranças alternadas.
A goleira alvinegra parecia não saber como comemorar mais um capítulo em uma temporada repleta de bons capítulos escritos com suas defesas. Emocionada, esperou ajoelhada pela chegada de suas companheiras eufóricas para uma comemoração coletiva. Festa e alívio completo no lado alvinegro da força, finalmente!
Seguir firme na luta pelo tri-hexa e firme por uma vaga no sonhado Mundial do futebol feminino são, sem sombra de dúvidas, motivos para comemorar e para se orgulhar. Mas não podemos deixar de lado um outro ganho significativo nessa classificação: o tão esperado fim daquela final dolorosa de 2019.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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