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Hugo Souza e a história que se repete desde os tempos de Barbosa
Bruno Cassiano

Nascido e criado na Brasilândia, jornalista, pai, marido e corinthiano. Encontrou no Corinthians a representatividade e inspiração necessárias para contrariar as estatísticas e vencer na raça.

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Hugo Souza e a história que se repete desde os tempos de Barbosa

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Hugo Souza e a história que se repete desde os tempos de Barbosa

Hugo Souza em campo na partida contra o Flamengo

Foto: Ronaldo Barreto / Meu Timão

Hugo Souza vem de uma boa sequência de jogos, com atuações decisivas para os resultados favoráveis ao Corinthians, isso logo após um começo de ano de clara de oscilação, e pouco se fala. Quase ninguém vê.

Desde que chegou ao Corinthians, o goleiro tem atuações gigantescas diminuídas ou ignoradas e falhas elevadas a mais alta catástrofe, com replays exibidos à exaustão em tom deboche. Mesmo quando leva gol, mas não falha, os lances são incansavelmente debatidos para que também se encaixem como uma falha dele.

O tratamento dado ao goleiro pela mídia tradicional é o inverso daquele tratado para alguns goleiros que recebem afagos (para não dizer lobby). Esses têm as falhas diminuídas ou escondidas e qualquer atuação regular ou boa elevada a um nível épico.

Quando isso é apontado pelo público, não só por corinthianos, há sempre uma esquiva ou uma tentativa de desconversar acusando quem apontou de mania de perseguição ou exagero. E não é. Hoje é com Hugo, mas esse tratamento já foi dado ao Jeferson, já foi dado ao Felipe e dado a tantos e tantos outros desde o Barbosa, goleiro que teve a carreira destruída pela crônica esportiva por conta de uma falha enquanto defendia a Seleção Brasileira.

O que fazem com o Hugo é dizer de forma velada que "goleiro preto não é confiável", como tanto já foi dito de forma explícita ao longo da história do futebol brasileiro. É fazê-lo ter que se provar todo santo dia, mesmo que outros já nem precisem mais se provar para ter o seu lugar validado entre os melhores de hoje ou de um passado recente.

A gente defende e debate uma possível ida à Copa do Mundo, que seria merecidamente justa pelo que o goleiro vem fazendo nos últimos anos, mas a questão com Hugo me parece ir além disso em importância. Deveríamos estar analisando se o olhar da mídia tradicional e do público mudou dos anos 50 para cá quando há um goleiro negro em evidência. Me parece que não.

Enquanto não houver um mea culpa ou uma reflexão mínima que seja, todo santo dia teremos um novo goleiro para ser o Barbosa da vez, tendo o ódio e o preconceito mascarados como opinião isenta. A carreira de Hugo tem sido assim desde o seu surgimento para o futebol e no silêncio e na resiliência ele evoluiu mesmo tendo que percorrer um caminho duas vezes mais longo e tortuoso que outros goleiros na idade dele ou com a mesma qualidade tiveram que percorrer.

De Barbosa para cá a mesma história se repete. Até quando?

Veja mais em: Hugo Souza.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Bruno Cassiano

Nascido e criado na Brasilândia, é jornalista e pai desde 2016, marido desde 2021 e Corinthiano desde 1994. Encontrou no Corinthians a representatividade e inspiração necessárias para contrariar as estatísticas e vencer de teimoso, na raça.

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