O Corinthians de hoje e sua conexão com suas raízes de luta
Opinião de Bruno Cassiano
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Memphis Depay em campo contra o Cruzeiro
Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Pode parecer pouco, pode parecer loucura da minha parte ou pode parecer simplesmente óbvio, mas as estampas com os dizeres "Racismo é crime. Denuncie." e com o patch "A história preta do Corinthians" são muito mais do que uma mera campanha ou demonstração de apoio expostas no manto alvinegro, são uma conexão direta do Sport Club Corinthians Paulista com sua própria história, com suas raízes. Vai além de abraçar o goleiro Hugo e de estender esse abraço para Vini Jr.
A luta no Timão vem de longe, desde quando surgiu como uma força representativa dos mais excluídos e marginalizados que queriam praticar um esporte dominado pela elite. Desde o dia primeiro de setembro de 1910, a data de sua fundação sob a luz falha de um lampião nos cruzamentos do bairro do Bom Retiro. Dentre os nomes fundadores, ali estava o de Joaquim Ambrósio, idealizador do nome "Corinthians", ponta-esquerda e primeiro jogador negro da história do clube.
Ter um negro não só disputando o esporte, mas também com tamanho grau de importância em seu quadro fundador para época era algo novo tanto quanto era algo inaceitável. O clube se tornou visado como uma ameaça ainda maior aos costumes pré-estabelecidos pela elite paulista.
A retaliação veio em 1915, quando o Corinthians tentou inscrever Davi, jogador negro, para o Campeonato Paulista daquele ano e foi impedido pela LPF. O clube então rompe com essa federação e tenta se filiar a uma outra, a APEA, mas também tem seu pedido barrado, seguido de um retorno à LPF negado. Com isso, o campeão invicto do Paulista de 1914 ficou sem disputar uma partida oficial durante o ano de 1915.
É nesse contexto e em um jogo amistoso que o Corinthians usou sua tradicional, e tão bela, camisa preta com listras brancas pela primeira vez. Foi a forma que o Timão encontrou para protestar contra a postura das federações elitizadas da época que queria manter o esporte exclusivo para determinado público e grupo de praticantes. Foi a forma que o time do povo, mesmo que de forma silenciosa, encontrou para batar o pé, e dar seu grito contrário ao racismo. É na luta que o Timão se conecta com seu jeito mais "Corinthians de ser".
Quando as frases são expostas, quando um post é feito, quando um gesto é exibido pelos jogadores em campo e pelos torcedores na arquibancada contra um racista e/ou contra o racismo, é muito mais do que uma campanha vazia. Quando isso acontece é o Corinthians batendo o pé novamente e replicando aquele grito lá de 1915. É o Corinthians reafimando a razão da sua existência e a sua importância na existência e na resilência de seu povo. Isso é o Corinthians!
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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